— Henrique, por favor... Me deixa em paz. — Carolina já tinha sido consumida por aquele amor até a exaustão, de corpo e alma. Incapaz de conter a dor, gritou com a voz embargada pelo choro. — Existem muitas mulheres boas neste mundo. Olha para elas. Qualquer uma é cem vezes melhor do que eu.
— Carolina... — A voz de Henrique saiu rouca, trêmula. — Não fala assim, por favor.
Carolina falou devagar, palavra por palavra:
— Eu admito que gosto de você. Mas não é como se só você servisse para mim. Eu não amo como você ama. Não tenho a sua constância, não tenho a sua lealdade, muito menos essa sua obsessão.
O corpo forte de Henrique estremeceu de leve. Os ombros pareciam vergados sob o peso de uma montanha. Sem conseguir respirar direito, ele baixou a cabeça, entreabriu os lábios e soltou o ar com dificuldade. Murmurou, entrecortado:
— Carolina... Ninguém apanha sem parar e continua ali para sempre, insistindo como se nada fosse. Eu sou humano. Eu também me canso. Não faz mais isso comigo. Eu tenho medo de não aguentar... E acabar soltando a sua mão.
Carolina cerrou os dentes. Quando tornou a falar, cada palavra saiu mais fria do que a anterior:
— Então solta. Para de insistir.
Seis anos antes, na primeira vez em que terminaram, também fazia frio.
Também chovia forte.
E também tinha sido assim. Ela dizia palavras cruéis, rasgando-o por dentro até não sobrar nada inteiro. Naquela época, ele se recusara a aceitar o fim e tinha ficado parado sob a chuva a noite inteira, até desmaiar e ser levado ao hospital.
Agora, mais uma vez, ele era atravessado por aquelas palavras afiadas, sangrando por dentro. A dor fez sua voz tremer:
— E se eu não soltar?
— Então eu me caso com o Cláudio. E aí? Você vai ultrapassar qualquer limite para tirar a mulher do seu próprio amigo?
Ao ouvir aquilo, Henrique sorriu em puro desespero.
Sob a chuva, aquele sorriso pareceu ainda mais amargo. Havia mais lágrimas do que água da tempestade em seu rosto. Sua voz saiu tomada por uma tristeza devastadora:
— Carolina, ver você se casar com o Cláudio e viver uma vida inteira de amor com o meu melhor amigo, diante dos meus olhos... Isso seria o mesmo que me matar. Você está com uma faca aí? Seria mais fácil enfiá-la no meu peito agora. Não faz isso comigo. Não me tortura desse jeito, aos poucos.
Ao ouvir aquelas palavras, Carolina também sentiu que estava sendo empurrada até o limite.
Henrique a pressionava.
O pai dele, o tio, a tia... Todos a pressionavam.
De um lado, estavam o futuro e o casamento de Henrique.
Do outro, um sentimento sem saída, sem desfecho possível.

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