Augusto simplesmente ignorou a resistência dele e continuou, como se estivesse apenas acertando algo que já estava decidido:
— Ela ainda é bem nova. Deve ter uns vinte e dois anos... Uns dez anos mais nova que você. Você vai cuidar bem da menina, ouviu? E, se puder, ainda ajuda a arranjar um bom emprego para ela.
Enrico ficou sem reação. Levou a mão à testa, apoiando o cotovelo sobre a mesa, completamente sem apetite.
Carolina levou um pedaço de carne à boca e mastigou devagar. Depois se inclinou na direção de Henrique e perguntou em voz baixa:
— O que aconteceu?
— Meu avô arrumou uma candidata a casamento para o meu irmão.
— Hã?
Carolina olhou para Henrique, surpresa.
Henrique colocou mais comida no prato dela e se aproximou, falando baixinho, a pouca distância:
— Meu irmão já tem trinta e dois anos. Meu avô e meus pais, por mais que digam que aceitam a ideia de ele não casar nem ter filhos, no fundo continuam aflitos com isso.
Carolina assentiu devagar, sentindo o coração pesar.
No fim das contas... Aquilo também tinha a ver com ela e Henrique, não tinha?
Ela se lembrou de uma conversa que tivera com Saulo. Na época, ele havia deixado bem claro que queria ver a família cercada de filhos e netos, e que Henrique era a única esperança. Por isso, tentou convencê-la a se casar logo ou então a deixar Nova Capital de uma vez, para não dar a Henrique nenhuma chance, para cortar de vez qualquer esperança dele.
Agora, como ninguém mais conseguia abalar a decisão dos dois de permanecerem juntos, os mais velhos naturalmente tinham transferido toda a expectativa para Enrico.
E, por causa disso, Carolina sentiu uma culpa silenciosa apertar o peito.
Ao entardecer, todos começaram a arrumar as coisas, prontos para voltar para casa.
Henrique foi chamado pelo avô, que o reteve no escritório para uma conversa em particular.
Carolina ficou do lado de fora, esperando por ele enquanto passeava pelo jardim.
Andava devagar pela trilha entre os canteiros. No ar pairava o perfume denso e adocicado das rosas, quase forte demais. Carolina gostava da paz daquele jardim nos fundos da mansão.
O primo César ainda não tinha ido embora.
E vinha andando na direção dela.
— As flores estão especialmente bonitas este ano. — A voz de César tinha a mesma estabilidade de alguém comentando sobre o tempo. — Devem ter enterrado bastante coisa boa aqui embaixo. Gatos e cachorros mortos, galinhas e patos doentes... Tudo apodrecendo junto às raízes. É o melhor adubo que existe.
Carolina parou de andar.
César se aproximou e exibiu um leve sorriso. Na profundidade indecifrável dos olhos escuros, havia uma névoa sutil que, de maneira estranha, lhe dava um ar educado, quase gentil.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...