— Obrigada pela preocupação, cunhada. — Vanessa mantinha a postura elegante e serena. Sob a mesa, porém, o punho já estava cerrado de tanta tensão. — Sempre ensinei meus filhos que, ao escolher alguém, não se deve olhar para status social. Se quiserem crescer na vida, que cresçam com o próprio esforço. Nada de tentar tirar dos outros aquilo que deveriam conquistar por si mesmos.
Tainá sorriu, mas o desprezo no canto da boca e o incômodo no olhar eram difíceis de esconder.
— O Enrico casando com uma mulher de pais divorciados... O Rick com uma mulher cujo pai foi preso... Ah, não, perdão. O Rick nem pode se casar. Convenhamos, isso não pega bem.
— Se cada um cuida da própria vida, isso pega mal para quem? — Vanessa franziu levemente a testa, num tom de curiosidade quase inocente. — Ah, falando nisso... ouvi dizer que a namorada do César é atriz, não é? Em que mesmo ela atuou? Acho que teve uma produção mais ousada... Daquelas que até foram barradas. A senhora chegou a assistir, cunhada?
A expressão de Tainá desabou no mesmo instante.
— Não assistiu, não é? Pois é... Também não fica muito bonito quando vira assunto por aí.
A conversa entre as duas ainda soava educada na superfície, quase cordial. Mas o clima já estava carregado, como se qualquer palavra a mais pudesse explodir.
Quando os mais velhos começavam a se enfrentar daquele jeito, ninguém mais ousava se meter. A comida já começava a esfriar na mesa. Como Augusto ainda não tinha tocado nos talheres, ninguém se atrevia a começar.
O ambiente na sala de jantar ficou pesado, sufocante. Victor e Saulo mal respiravam.
Foi então que Carolina entrou às pressas, ainda um pouco ofegante, com uma expressão tensa e constrangida. Parou na entrada e baixou levemente a cabeça.
— Desculpem... Eu acabei acordando tarde.
Todos se viraram para ela.
Sob tantos olhares ao mesmo tempo, Carolina sentiu até o couro cabeludo formigar.
Augusto sorriu, com gentileza:
— Não está tarde. Veio na hora certa, ainda nem começamos. Entre, venha se sentar.
Na mesma hora, Henrique se apoiou na bengala, pronto para se levantar e ir até ela. Mas Lívia já colocou a mão no braço dele e se levantou primeiro.
— Fica aí, mano. Eu vou.
Enquanto caminhava, Carolina foi inclinando a cabeça para os mais velhos, pedindo desculpas em voz baixa:
— Me desculpem... De verdade...
Lívia foi ao encontro dela e segurou sua mão.
— Cunhada, ninguém começou ainda. Vem.
O calor da mão de Lívia trouxe a Carolina um pouco de tranquilidade. Com o coração mais leve, deixou-se conduzir até o lugar ao lado de Henrique e se sentou.
Mal se acomodou, a mão dele surgiu por baixo da mesa e segurou a dela.
Carolina não disse nada. Manteve o olhar à frente.
No instante em que ele entrelaçou os dedos aos dela, ela cravou as unhas com força na palma da mão dele.
Henrique franziu a testa e puxou o ar entre os dentes. Mesmo assim, não soltou. Virou o rosto, olhando para ela, sem entender.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...