O quarto estava mergulhado na escuridão.
Carolina ouviu, ao longe, alguém bater à porta. Afastou o cobertor e, com as mãos trêmulas, procurou o celular. Os olhos ainda úmidos mal focaram a tela.
Já passava das dez da noite.
As batidas cessaram. Em seguida, a voz baixa de Henrique soou do outro lado da porta:
— Carol, abre.
O corpo dela tremia sem controle. O estômago se contraía em espasmos dolorosos, como se algo a estivesse rasgando por dentro. Estava gelada, entorpecida, e as lágrimas não paravam de cair. Não queria que Henrique a visse daquele jeito, tão frágil, tão devastada.
Com a ponta dos dedos tremendo, digitou apenas três palavras no WhatsApp:
[Vou dormir agora.]
Assim que a mensagem foi enviada, o lado de fora mergulhou em silêncio.
Carolina largou o celular, segurou a cabeça latejante e se encolheu contra a cabeceira. Cerrou os dentes, tentando aguentar na marra aquela tortura que a consumia por dentro.
Quanto mais tentava conter, mais o ar lhe faltava.
Ela se odiava.
Odiava aquela tristeza sem explicação, absurda, sufocante. Não conseguia abrir mão de Henrique, mas, ao mesmo tempo, a dor era insuportável a ponto de fazê-la querer desaparecer ali mesmo.
Sentia-se um fardo. Inútil. Em pedaços.
O coração batia descompassado, rápido demais, errado demais, e uma sensação terrível de morte iminente começou a envolvê-la.
"Clique."
De repente, ouviu a fechadura girar.
No instante seguinte, a porta se abriu.
Uma luz morna, alaranjada, invadiu o quarto escuro. Apoiado na muleta, Henrique surgiu recortado contra a claridade. Alto, firme, com uma presença sólida que preenchia o ambiente, atravessou o quarto em passos apressados até alcançá-la, encolhida na escuridão.
Carolina já chorava sem qualquer controle. As lágrimas caíam sem parar, uma atrás da outra. O corpo tremia ainda mais, e os soluços escapavam apesar de todo o esforço para reprimi-los. Escondida sob o cobertor, só conseguia emitir sons abafados entre gemidos.
Ao chegar à cama, Henrique largou a muleta de qualquer jeito e subiu no colchão de joelhos, puxando-a para fora do cobertor.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...