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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 363

— Você ainda quer se tratar?

Carolina assentiu.

— Quero.

— Então vem morar comigo. Eu cuido de você… Fico do seu lado.

— Quando a crise vem… Você vai sofrer muito. Eu não quero isso pra você…

Henrique a interrompeu:

— Eu vou sofrer, sim. Mas fui eu que escolhi ficar com você. Isso também faz parte, não faz?

— Na verdade… Eu já estou melhorando. Tenho tomado os remédios direitinho.

Henrique a apertou com mais força contra o peito, apoiando o queixo no topo da cabeça dela. A voz saiu pesada, carregada:

— Eu me afastei por um instante… Só um instante… E você já começou a imaginar mil coisas, deixou a depressão te arrastar. Você ainda não está bem. Se vier mais alguma pancada um pouco mais forte… Você desaba de vez.

Os olhos de Carolina voltaram a se encher de lágrimas. A voz saiu embargada:

— Eu também não queria ser assim… Tenho medo de descobrirem… De acharem que é frescura.

— Não é frescura. Você está doente. — Henrique segurou o rosto dela com cuidado, beijou seus lábios e falou baixo, tentando acalmá-la. — Não pensa assim… Eu estou aqui. Vou ficar com você. A gente vai passar por isso juntos. Você vai melhorar.

— Tá…

— Acende a luz, pode ser? Quero te ver.

— Não… Estou horrível.

Henrique afastou uma mecha de cabelo do rosto dela com delicadeza.

— Então eu fecho a porta… E fico aqui com você a noite toda.

Carolina se soltou dos braços dele e desceu da cama devagar.

— Deixa que eu vou… Sua perna ainda não está boa.

As pernas dela continuavam fracas, quase sem força. Caminhou devagar até a porta, fechou, depois voltou e subiu outra vez na cama, se aninhando de novo nos braços dele.

Henrique a puxou para mais perto, apertando-a contra si. Encostou o rosto no dela e murmurou junto ao seu ouvido:

— Você nem jantou… Está com fome?

— Não.

— O médico da família do Cláudio disse que você está desnutrida, que seu corpo está fraco. Você está cada vez mais magra… E isso me dá uma sensação horrível.

— O que isso tem a ver com você?

— Eu queria conseguir cuidar melhor de você… Te ver bem, saudável, com mais cor. Mas não posso te obrigar a comer, a dormir, a descansar…

Carolina ficou em silêncio por um instante. Depois acabou cedendo:

— Então eu como… A gente pede alguma coisa, pode ser?

— Claro.

— Quero beber um pouco… E comer uma porção de picanha com fritas.

— Eu bebo com você. Como com você.

— Também quero tomar banho… Lavar o cabelo.

— Eu te ajudo.

— Sua perna ainda está machucada…

— Já vai fazer dois meses. Está quase boa. Posso ficar sentado na banheira e te ajudar. Não vai atrapalhar em nada.

— Mas…

Henrique envolveu os ombros dela com o braço, abaixou a cabeça e deixou beijos leves na testa e entre as sobrancelhas. A voz saiu baixa, rouca:

— Me deixa cuidar de você… Pelo menos isso. Considera como uma compensação por esses dias em que você me deixou de lado.

— Eu não te deixei de lado… Eu só estava ocupada demais…

— Eu sei… — Ele respondeu, num tom baixo, quase manhoso. — Mas eu também senti falta… Hoje você vai ter que me compensar direitinho.

Carolina não conseguiu evitar um leve sorriso.

No banheiro, sob a luz clara e acolhedora,

Henrique viu melhor os olhos dela, inchados de tanto chorar, vermelhos, frágeis de partir o coração.

A banheira era grande o suficiente para os dois.

A água estava morna. O peito dele, firme e quente. As mãos grandes, surpreendentemente delicadas, deslizavam pelos cabelos longos dela com cuidado, como se fossem capazes de aliviar também o peso que ela carregava por dentro.

Depois de uma dor tão intensa, o corpo ficava vazio.

Ainda bem que ele estava ali.

E ainda bem que conseguia preencher aquele vazio, aquela solidão que sempre insistia em voltar.

Nos braços dele, Carolina finalmente se permitiu relaxar por completo. Deixou as emoções se dissolverem aos poucos. Sem reservas, sem defesa, como se, ali, pudesse preencher cada espaço oco dentro de si.

Foram onze anos assim: entre doçura e dor, com mais distância e saudade do que presença. Talvez por isso, agora, cada segundo ao lado dele parecesse precioso demais para ser desperdiçado.

Com ele, ela podia ser inteira.

E ele gostava disso. Admirava cada detalhe, cada reação, cada entrega, saboreando aquele amor que era só deles.

Depois do banho, sentados na beira da cama, Henrique secava o cabelo dela com o secador, enquanto Carolina mexia no celular, fazendo o pedido pelo aplicativo.

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