— Carolina, você é corajosa… Mas espera só.
O rosto de Lílian ficou esverdeado de raiva. Ela apontou o dedo para Carolina, de cima a baixo, e rosnou, palavra por palavra, entre os dentes:
— Vou contar para os pais do Rick que você está morando com ele. Eles não vão ficar de braços cruzados.
Diante dessa velha tática de "dedurar", tão típica de Lílian, Carolina não sentiu absolutamente nada. Nenhuma onda, nenhum incômodo. Apenas observou, serena, enquanto Lílian deixava a ameaça no ar e se virava para ir embora.
— Espera. — Chamou Carolina.
Lílian se virou, impaciente. A voz saiu cortante:
— O que foi agora.
Carolina apontou para o chão, onde a comida estava espalhada entre cacos de porcelana.
— Limpa tudo antes de sair.
— Ah, dá licença. — Lílian soltou uma risada de desprezo, cruzou os braços e encarou Carolina com um ar altivo e debochado. — Quem você pensa que é? Com que direito acha que pode me dar ordens?
Carolina se levantou. Guardou o celular no bolso, pegou a pasta de trabalho e caminhou até Lílian com calma, sem pressa, cada passo calculado.
— Você pode não limpar. — Disse, num tom quase casual. — Então deixa aí para o Henrique limpar quando voltar do trabalho. E aproveita para ver como eu vou contar essa história para ele. Nos mínimos detalhes.
— Você não ousaria.
Lílian explodiu. O peito subia e descia com força. O rosto escureceu num segundo. Os olhos arregalados pareciam saltar das órbitas; os dentes rangiam, quase se partindo.
Carolina passou por ela, roçando de leve o ombro. Deu dois passos e parou.
Ficou ao lado de Lílian, de costas para ela, olhando na direção oposta. A voz saiu baixa, firme, fria como aço:
— Essa gravação vale por tempo indeterminado. Se eu decidir te processar, é causa ganha. Eu não sou seus pais. Muito menos o Henrique. Não vou te passar a mão na cabeça, nem te mimar. Da última vez você me chamou de lixo. Desta vez, de mulher sem caráter. Da próxima, eu te levo direto para o tribunal e deixo um processo no seu nome. Quero ver como você vai se casar com o Henrique carregando uma ficha criminal nas costas.
Os punhos de Lílian tremiam de raiva. Humilhada, ferida no orgulho, ela sabia que estava em desvantagem. O coração batia acelerado, o pânico subia, mas ainda assim tentou manter a pose, erguendo o queixo num orgulho forçado:
— Você está me ameaçando?
— Testa. — Respondeu Carolina, virando levemente o rosto. O olhar era firme, frio, sem qualquer traço de fúria. Justamente por isso, assustava. Havia ali uma dureza contida, uma crueldade calma que não precisava de voz alta para intimidar. — E vê se eu estou blefando.
Lílian engoliu em seco. O medo se instalou de vez.


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