Depois do almoço, elas voltaram ao escritório.
Júlia caminhava ao lado de Carolina, um pouco sem jeito.
— Carol, este é meu primeiro emprego de carteira assinada. Também é a primeira vez que trabalho como assistente pessoal. Se eu fizer alguma coisa errada, por favor, me orienta.
— Claro.
Carolina se sentou à mesa.
Júlia continuou de pé, com a postura rígida e o rosto tenso.
— Então… O que eu faço agora?
Carolina pensou por alguns segundos antes de responder:
— Primeiro: não conte ao Henrique que eu quase fui atropelada por aquela moto agora há pouco. Melhor não deixar ele preocupado.
— Está bem.
— Por enquanto, não tenho nada para você fazer. Pode ficar pelo escritório, mexer no celular, estudar ou cuidar das suas coisas. Quando eu precisar, te chamo.
Os olhos de Júlia se iluminaram. Aos poucos, o sorriso dela se abriu, radiante.
— Então eu posso estudar aqui?
— Claro que pode. Mas você ainda não se formou?
— Já. Só que eu quero trabalhar por um ano, juntar um dinheiro e depois fazer mestrado e doutorado em sequência.
Carolina se lembrou de que, da última vez, Augusto havia comentado que os pais de Júlia eram divorciados. Ela tinha sido criada pelo avô, e esse avô estava com câncer. Era ele quem queria deixar Júlia aos cuidados de Enrico.
Uma garota de vinte e dois anos, sem poder contar com os pais, trabalhando para pagar sozinha o caminho até o mestrado e, quem sabe, o doutorado.
Quanta força alguém precisava ter para chegar até ali? Que tipo de pessoa brilhante conseguia carregar tudo isso nas costas?
Enrico era, de fato, brilhante. Vinha de uma ótima família. Mas havia dez anos de diferença entre os dois. Sinceramente, não era pouca coisa.
— E a saúde do seu avô? Como ele está?
— Vai levando… do jeito que dá. Ele já está bem velhinho. Meu pai e meu tio diziam que tratar era jogar dinheiro no lixo, então nenhum dos dois quis bancar as despesas. Eu não tinha dinheiro, muito menos voz para decidir alguma coisa. Aí o avô do Henrique apareceu e pagou o tratamento e a cirurgia. Mas impôs uma condição: eu teria que me casar com o neto dele.
Júlia contou tudo com uma naturalidade quase leve, mas o sorriso em seu rosto tinha um gosto amargo.
No fim, muito do sofrimento humano se resumia a duas coisas: pobreza e doença. E, quando alguém era prensado por elas, nem sempre conseguia romper a própria realidade.
— Qual é a sua área?
— Engenharia biomédica.
— Você é incrível.
Carolina sentia uma admiração sincera por ela.
Gostava de garotas assim: aquelas que cresciam na marra em meio à adversidade, que lutavam sem parar e juravam abrir, com as próprias mãos, um caminho limpo para si mesmas.
Júlia sorriu, os olhos se curvando com delicadeza.
— Carol, incrível é você. Eu admiro muito você.
— Então vamos nos inspirar uma na outra.
— Vamos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...