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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 411

Henrique pousou a mão de leve sobre a cabeça de Carolina e deixou os dedos deslizarem, sem pressa, pelos cabelos longos dela, até parar na nuca. Então murmurou, cheio de ternura:

— O projeto do Instituto de Aeronáutica de Porto Velho, na verdade, era bem simples. Qualquer engenheiro poderia ter ido. Eu só pedi transferência para lá porque descobri que aquela era a cidade da sua família.

Os olhos de Carolina ficaram vermelhos de repente. As lágrimas subiram de uma vez, mas ela não disse nada. Apenas continuou olhando para ele.

— Amigos eu tenho, sim. — Continuou Henrique. — Só que eu quase nunca chego tão perto de um colega a ponto de tratá-lo como irmão. Até que, um dia, eu estava almoçando no refeitório e ouvi o Leandro comentando com uns colegas sobre o encontro às cegas dele. Ele disse que a Larissa era animada, querida, e que a amiga que tinha ido com ela era muito bonita. Bonita mesmo. Um dos colegas se interessou por essa amiga, e o Leandro começou a descrever a aparência dela, o trabalho, o nome… Na hora, eu não sei o que me deu. Quis me aproximar dele. Quis fazer amizade com ele.

Henrique fez uma pausa breve. Seus dedos ainda acariciavam, com delicadeza, a pele atrás do pescoço dela.

— Eu nunca gostei daqueles jantares constrangedores que o Leandro organizava. Mas, sempre que ele me chamava, eu ia. No fundo, eu me agarrava àquela esperança absurda de encontrar você por acaso.

A voz dele ficou um pouco mais baixa.

— No dia em que encontrei você, eu já sabia que você iria estar lá. Eu estava… Bem nervoso.

Com os olhos marejados, Carolina murmurou:

— Mas você parecia tão calmo. Naquele dia, ainda disse que não me conhecia.

Henrique sorriu, sem saber se ria de si mesmo ou da lembrança.

— Calmo? Onde você viu calma em mim? Eu fiquei olhando para o celular o tempo todo só para não deixar transparecer nada. E, se eu não dissesse aquilo, ia dizer o quê? Oi, ex-namorada, quanto tempo? Eu só ia te deixar numa saia justa. Todo mundo começaria a perguntar de onde a gente se conhecia, quanto tempo tinha ficado junto, quando terminou… E a Lílian ainda estava lá. Você sabe muito bem como aquela mulher tem a língua afiada.

Ao se lembrar daquele reencontro, Carolina sentiu a mágoa voltar em forma de pontada. Baixou a voz e resmungou:

— Como se a sua língua também não fosse afiada. Você também já me machucou com as suas palavras.

Henrique ficou surpreso.

— Quando foi que eu fiz isso?

— Uma vez, quando foi me levar para casa. Você viu o prédio onde eu alugava aquele quarto e perguntou se eu precisava mesmo me sujeitar àquilo. Na hora, eu me senti tão mal…

Henrique então se lembrou.

Uma pontada de culpa atravessou seu peito. Ele a puxou para os braços e a apertou com força.

— Me desculpa. Naquele dia, eu estava fora de mim. Ver você morando num lugar tão ruim acabou comigo. Eu fiquei com o coração apertado por você e acabei falando sem pensar.

— Rick, eu não culpo você.

— Então quando você vai aceitar me chamar de marido?

— Não quero.

— Eu quero ouvir.

— Fico com vergonha.

— Não tem ninguém aqui. Fala baixinho.

Carolina reuniu coragem. Passou os braços em volta do pescoço dele, ficou na ponta dos pés e ergueu o rosto, aproximando os lábios do ouvido de Henrique. A voz saiu macia, doce, quase derretida:

— Marido…

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