Henrique pousou a mão de leve sobre a cabeça de Carolina e deixou os dedos deslizarem, sem pressa, pelos cabelos longos dela, até parar na nuca. Então murmurou, cheio de ternura:
— O projeto do Instituto de Aeronáutica de Porto Velho, na verdade, era bem simples. Qualquer engenheiro poderia ter ido. Eu só pedi transferência para lá porque descobri que aquela era a cidade da sua família.
Os olhos de Carolina ficaram vermelhos de repente. As lágrimas subiram de uma vez, mas ela não disse nada. Apenas continuou olhando para ele.
— Amigos eu tenho, sim. — Continuou Henrique. — Só que eu quase nunca chego tão perto de um colega a ponto de tratá-lo como irmão. Até que, um dia, eu estava almoçando no refeitório e ouvi o Leandro comentando com uns colegas sobre o encontro às cegas dele. Ele disse que a Larissa era animada, querida, e que a amiga que tinha ido com ela era muito bonita. Bonita mesmo. Um dos colegas se interessou por essa amiga, e o Leandro começou a descrever a aparência dela, o trabalho, o nome… Na hora, eu não sei o que me deu. Quis me aproximar dele. Quis fazer amizade com ele.
Henrique fez uma pausa breve. Seus dedos ainda acariciavam, com delicadeza, a pele atrás do pescoço dela.
— Eu nunca gostei daqueles jantares constrangedores que o Leandro organizava. Mas, sempre que ele me chamava, eu ia. No fundo, eu me agarrava àquela esperança absurda de encontrar você por acaso.
A voz dele ficou um pouco mais baixa.
— No dia em que encontrei você, eu já sabia que você iria estar lá. Eu estava… Bem nervoso.
Com os olhos marejados, Carolina murmurou:
— Mas você parecia tão calmo. Naquele dia, ainda disse que não me conhecia.
Henrique sorriu, sem saber se ria de si mesmo ou da lembrança.
— Calmo? Onde você viu calma em mim? Eu fiquei olhando para o celular o tempo todo só para não deixar transparecer nada. E, se eu não dissesse aquilo, ia dizer o quê? Oi, ex-namorada, quanto tempo? Eu só ia te deixar numa saia justa. Todo mundo começaria a perguntar de onde a gente se conhecia, quanto tempo tinha ficado junto, quando terminou… E a Lílian ainda estava lá. Você sabe muito bem como aquela mulher tem a língua afiada.
Ao se lembrar daquele reencontro, Carolina sentiu a mágoa voltar em forma de pontada. Baixou a voz e resmungou:
— Como se a sua língua também não fosse afiada. Você também já me machucou com as suas palavras.
Henrique ficou surpreso.
— Quando foi que eu fiz isso?
— Uma vez, quando foi me levar para casa. Você viu o prédio onde eu alugava aquele quarto e perguntou se eu precisava mesmo me sujeitar àquilo. Na hora, eu me senti tão mal…
Henrique então se lembrou.
Uma pontada de culpa atravessou seu peito. Ele a puxou para os braços e a apertou com força.
— Me desculpa. Naquele dia, eu estava fora de mim. Ver você morando num lugar tão ruim acabou comigo. Eu fiquei com o coração apertado por você e acabei falando sem pensar.
— Rick, eu não culpo você.
— Então quando você vai aceitar me chamar de marido?
— Não quero.
— Eu quero ouvir.
— Fico com vergonha.
— Não tem ninguém aqui. Fala baixinho.
Carolina reuniu coragem. Passou os braços em volta do pescoço dele, ficou na ponta dos pés e ergueu o rosto, aproximando os lábios do ouvido de Henrique. A voz saiu macia, doce, quase derretida:
— Marido…
Agora, porém, ela já não pensava assim.
— Quando nosso bebê passar dos três meses e estiver mais firme, eu levo você ao presídio de Porto Velho para visitar meu pai.
— Tudo bem.
Henrique a colocou devagar de volta no chão, segurou sua mão e continuou caminhando ao lado dela.
— Eu não posso te dar uma certidão de casamento. Mas posso te dar uma carta de compromisso, um dote, meus bens e segurança para a vida inteira.
Carolina caminhava ao lado dele. Sorriu e perguntou:
— Então o que eu tenho que te dar em troca? Um enxoval?
— Você me dar filhos e uma vida inteira de companhia já é mais do que suficiente.
— Está bem. Se ter filhos não atrapalhar sua promoção, eu te dou muitos, muitos filhos. Um time de futebol inteiro.
Henrique abriu um sorriso luminoso.
— Gravidez envolve risco de vida. Um só já basta. Eu não aceitaria ver você se arriscando tantas vezes.
Carolina apenas sorriu. Não respondeu. Abraçou o braço dele, encostou o rosto em seu ombro e entrou com ele na sala.
Sabrina estava sentada ali, falando ao telefone. Assim que os viu voltar, desligou às pressas, levantou-se e cumprimentou os dois:
— Senhor Henrique, Carolina, vocês voltaram?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...