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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 422

Era como acompanhar os protagonistas de uma novela.

Quando eles estavam felizes, Júlia sentia como se recebesse uma pequena parte daquela felicidade também.

De coração, ela torcia para que Carol e Henrique tivessem um bebê saudável, e para que aquela família continuasse inteira, unida, feliz.

Júlia era só uma espectadora.

E, justamente por isso, tinha inveja de Carol.

Todos os dias, quando Henrique chegava do trabalho, a primeira coisa que fazia era procurar Carol. Abraçava-a, puxava-a para o colo e perguntava como ela estava se sentindo, se o humor estava bom, o que tinha feito durante o dia, o que havia comido.

Ele tinha uma paciência quase inacreditável.

Sempre arranjava tempo para ficar com Carol, mesmo nos dias mais cansativos.

Era completamente diferente dos homens que Júlia conhecia das próprias lembranças.

Na casa dos Queiroz, o clima também era diferente de tudo o que ela já tinha visto. Depois do jantar, a família se reunia na sala e ficava conversando sem pressa. Falavam de assuntos importantes, de bobagens do dia a dia, de notícias, de histórias antigas, de qualquer coisa. As risadas vinham uma atrás da outra, e ninguém deixava a fala de ninguém morrer no vazio.

Os pais de Henrique também eram pessoas raras.

Escolhiam pessoalmente os ingredientes, preparavam as refeições, cuidavam de cada detalhe. As funcionárias iam apenas para fazer a limpeza e, depois, iam embora. Naquela casa, além de Júlia, que, no fundo, ainda se via como alguém de fora, nenhum estranho passava a noite.

A rotina de trabalho de Carol foi diminuindo aos poucos. Na maior parte do tempo, ela ficava em casa, descansando. Como Júlia a acompanhava, também acabava passando quase todos os dias ali. Seu serviço, que deveria ser o de uma assistente pessoal, tornara-se simples demais, leve demais. Na prática, sobrava-lhe tempo de sobra para estudar.

Os dez mil reais que Henrique lhe pagava todo mês pareciam cada vez menos um salário.

Pareciam mais uma forma discreta de ajudá-la.

Foi nessa convivência que Júlia começou a entender uma coisa: as diferenças de classe existiam, sim.

Mas não eram feitas apenas de dinheiro e poder.

Havia uma distância construída por educação, criação, caráter, repertório, ambiente familiar. Coisas que não se compravam de uma hora para outra.

Quando Carol ia ao pré-natal, quase sempre a família inteira se mobilizava para acompanhá-la ao hospital. Como assistente pessoal, Júlia naturalmente ia junto.

Só depois ela descobriu que aquelas idas ao hospital não eram apenas por causa da gravidez.

Carol também fazia acompanhamento psiquiátrico.

Ela tinha depressão grave.

Como estava grávida e não tomava medicação, a família e os médicos acompanhavam de perto seu estado emocional. Quase toda semana havia consulta, conversa, avaliação. Ninguém tratava aquilo como exagero. Ninguém dizia que era frescura. Todos levavam a sério.

Naquele período, Henrique andava ocupado demais. Fazia hora extra com frequência, passava dias inteiros preso ao trabalho, mas ainda assim mandava mensagens para Carol o tempo todo.

Sempre que Júlia via Carol com o celular na mão, sorrindo daquele jeito meio tímido, meio bobo, já sabia.

Era Henrique.

Só podia ser Henrique.

Carol mal tinha passado dos dois meses de gravidez, mas já tinha comprado sapatinhos, roupinhas, mamadeiras e um monte de coisinhas minúsculas, delicadas demais, como se cada objeto tornasse a chegada daquela criança um pouco mais real.

Todos esperavam ansiosamente por aquele bebê.

Mas, dentro da família Queiroz, nem todo mundo era bom.

Certo meio-dia, uma senhora apareceu na casa. Idosa, elegante, vestida com um luxo discreto, desses que não precisam chamar atenção para deixar claro o próprio preço.

Carol a chamou de tia.

A mulher trouxe suplementos, falou palavras bonitas e ainda entregou a Carol um pingente de proteção. A peça era linda. Parecia ter uma pedra vermelha, brilhante, quase como um rubi.

Nela havia uma frase gravada:

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

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