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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 423

Júlia virou o volante num reflexo tão rápido que mal deu para perceber.

O impacto veio logo em seguida.

Um estrondo ensurdecedor rasgou o ar.

O caminhão acertou em cheio o lado do passageiro. O carro rodou duas vezes no asfalto antes de tombar violentamente à beira da estrada.

No momento do acidente, Carolina e Vanessa estavam no banco de trás, conversando com doçura sobre o bebê. Tentavam adivinhar se seria menino ou menina, imaginavam nomes, riam de pequenas possibilidades que ainda pareciam distantes e bonitas.

Júlia sempre dirigia devagar. Era cuidadosa, quase rígida ao volante. E foi justamente por isso que conseguiu pisar no freio a tempo.

Não evitou a colisão.

Mas impediu que o carro fosse esmagado por completo.

O motorista do caminhão, que claramente havia invadido a contramão de propósito, fugiu sem sequer reduzir a velocidade.

Logo depois, uma fumaça grossa começou a sair do carro. A dianteira pegou fogo em poucos segundos.

Júlia estava desmaiada, coberta de sangue, presa ao banco do motorista.

Carolina abriu os olhos em meio ao caos.

A primeira coisa que sentiu foi dor.

Uma dor aguda, profunda, que vinha do baixo-ventre e se espalhava pelo corpo em ondas violentas. Ela levou a mão à barriga, mas naquele instante nem conseguia pensar direito no bebê.

Só havia uma ideia em sua cabeça.

Sair dali.

Sobreviver.

Com o corpo tremendo, rastejou para fora do carro capotado. O chão áspero rasgou sua pele, os cacos machucaram suas mãos, mas Carolina não parou.

Assim que conseguiu se levantar, deu a volta até o outro lado do veículo.

Vanessa ainda estava presa lá dentro.

— Vanessa!

A voz saiu quebrada, quase um soluço.

Carolina puxou a porta com todas as forças. A lataria estava amassada, emperrada, quente demais. Ela puxou de novo. E de novo. O corpo inteiro doía, mas o medo era maior que a dor.

Vanessa não respondia.

Estava desacordada.

O desespero tomou conta de Carolina.

— Vanessa! Por favor...

As lágrimas turvaram sua visão. A dor no ventre era tão forte que suas pernas pareciam não pertencer mais a ela. Ainda assim, talvez por instinto, talvez pela adrenalina, talvez por puro pavor, Carolina reuniu uma força que nem sabia ter.

Conseguiu abrir espaço suficiente.

Enfiou os braços para dentro, segurou Vanessa por baixo dos ombros e começou a puxá-la.

Puxou.

Arrastou.

Caiu de joelhos.

Levantou de novo.

E continuou arrastando.

Só quando conseguiu levar a sogra para uma distância minimamente segura foi que a deitou no chão.

Mas ainda faltava Júlia.

Carolina virou-se para o carro em chamas.

A frente do veículo já ardia. A fumaça ficava cada vez mais densa, escura, sufocante.

Havia poucos carros naquela estrada, mas alguns motoristas pararam ao ver o acidente. Desceram, ficaram olhando, assustados. A fumaça, o fogo, o risco de explosão... tudo aquilo os manteve afastados.

Carolina sabia que era perigoso.

Sabia que podia morrer ali.

Mas, naquele momento, essa ideia não tinha peso nenhum.

Ela correu de volta.

Cerrou os dentes e tentou abrir a porta do motorista. A lataria cedeu pouco. Carolina se abaixou, quase se deitou no chão, enfiando o braço por uma fresta para tentar soltar o cinto de Júlia.

O airbag a prendia. O cinto também.

Carolina puxava, apertava, tentava alcançar a trava, mas os dedos escorregavam. Ela já tinha gastado toda a força que possuía.

E Júlia continuava presa.

— Ju! — Carolina gritou, desesperada. — Acorda! Ju, acorda!

Ela puxou mais uma vez.

Nada.

— Por favor, acorda!

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