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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 425

A voz de Henrique saiu baixa, cuidadosa:

— A gente ainda é jovem, Carol. Um dia, vamos ter outras chances.

Assim que ouviu aquilo, o pouco de cor que restava no rosto de Carolina desapareceu.

Ela mordeu o lábio inferior com força, como se tentasse prender dentro de si alguma coisa que, se escapasse, a destruiria por completo. Mordeu até a pele fina quase se romper.

As lágrimas encheram seus olhos.

Devagar, Carolina virou o rosto para o outro lado, fugindo do olhar de Henrique.

Quando fechou os olhos, as lágrimas finalmente escorreram, uma depois da outra, molhando o travesseiro.

Debaixo da coberta, sua mão apertava o tecido da camisola do hospital. Os dedos tremiam.

Era como se seu coração tivesse sido partido ao meio com um machado. E, depois, como se alguém tivesse jogado sal na carne exposta.

Até respirar doía.

Doía tanto que ela quase sufocava.

O sonho voltou inteiro à sua cabeça.

O bebê tinha se esforçado tanto para chegar até ela.

E ela não tinha conseguido fazer nada.

Ele chorava, chamava por ela, pedia socorro com aquela vozinha tão pequena.

— Mamãe, me salva...

Seu bebê devia ter ficado com medo.

Devia ter se sentido triste.

Decepcionado.

Com uma mãe tão inútil, como não ficaria?

Então era isso.

O bebê não a queria mais.

Não queria mais.

— Carol...

Henrique apoiou uma das mãos na cama e se inclinou para vê-la melhor. Ao encarar o rosto pálido dela, estendeu a mão e enxugou as lágrimas que escorriam pelo canto de seus olhos.

— Não fica segurando tudo assim. Se doer, chora. Se você prender isso aí dentro, vai acabar fazendo mal para você.

Carolina não respondeu.

Mordeu o lábio até machucar, mas nenhum som saiu.

Existia uma dor que não fazia barulho.

Mesmo quando a vontade era chorar, o choro não vinha.

Mas doía.

Doía demais.

Como se o peito fosse explodir.

Como se o ar não conseguisse entrar.

Dentro de sua mente, só havia seu filho.

Ela conseguia vê-lo com nitidez.

Um bebê lindo, de pele clara e macia. Os olhinhos lembravam os de Henrique, calmos, gentis, luminosos. E, quando sorria, havia tanta doçura naquele rostinho que dava vontade de chorar.

Ele usava um coletezinho vermelho de bebê, com o ideograma da sorte bordado no peito.

— Mamãe...

A vozinha infantil soou outra vez perto de seu ouvido.

Com os olhos fechados, envolta por uma névoa clara e acinzentada, Carolina viu o bebê de novo.

— Que bebê, Carol?

— Eu estava fazendo ele dormir. — Carolina apalpou a cama, depois levantou a coberta, procurando ao redor com ansiedade. — Ele estava aqui. Eu estava ninando o meu bebê.

Henrique segurou a mão dela com firmeza, impedindo que continuasse se mexendo daquela maneira.

A voz dele saiu triste, mas séria:

— O bebê se foi. Você precisa separar o sonho da realidade. Não me assusta mais, por favor. A gente ainda é muito jovem. Um dia, se você quiser, vamos ter outros filhos. Um, dois, quantos você quiser. Eu aceito tudo. Só não posso perder você também.

Carolina parou.

Então olhou para Henrique com um desespero silencioso.

As lágrimas continuavam caindo, fora de controle. Mas ela não gritava. Não soluçava alto. Não fazia escândalo.

Apenas encarava a realidade enquanto o coração doía em ondas, uma depois da outra.

Ninguém sabia o quanto ela tinha esperado por aquela criança.

Uma criança dela.

Só dela.

No fundo, Carolina queria uma menina.

Queria dar a essa filha todo o amor que nunca tinha recebido. Queria cuidar dela como se estivesse cuidando da Carolina pequena. Queria criá-la com as próprias mãos, cercá-la de carinho, compensar naquele novo começo tudo o que lhe faltara na infância.

Aquele bebê era seu apoio.

Seu futuro.

Seu lugar seguro.

Desde o dia em que descobrira a gravidez, todo o amor de mãe que existia dentro dela havia despertado.

Em casa, as roupinhas que comprara eram cor-de-rosa.

Em cada uma, Carolina tinha bordado algum bichinho fofo. Também havia trevos de quatro folhas, pequenas margaridas, detalhes delicados que ela escolhera um por um.

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