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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 424

No sonho, ela viu o bebê.

Era o filho dela com Henrique.

Lindo.

Tinha o cabelo curtinho, cheio, os olhos grandes e claros, brilhando como se carregassem luz própria. Os cílios eram longos, o rostinho redondo, macio, perfeito. Quando sorria, sem nenhum dentinho ainda, parecia a coisa mais adorável do mundo.

Com os olhos cheios de alegria, o bebê engatinhava em sua direção.

Carolina abriu os braços para recebê-lo.

Mas ele não chegava.

Continuava engatinhando.

Engatinhando.

Engatinhando.

Por mais que se esforçasse, parecia exausto demais para vencer aquela distância. Até que, sem forças, sentou-se no mesmo lugar e começou a chorar, olhando para ela.

Como se perguntasse, entre soluços:

— Mamãe, por que você não vem me buscar?

Carolina quis se levantar.

Quis correr até ele.

Quis pegá-lo no colo e nunca mais soltar.

Mas não conseguia se mover.

Era como se alguma coisa a prendesse ali, separada do bebê por uma barreira invisível. Ela via tudo. O rostinho molhado, os bracinhos estendidos, o desespero daquele choro. Mas, por mais que tentasse, não conseguia atravessar.

Só podia assistir.

O coração dela parecia ser rasgado por dentro.

E não havia nada que pudesse fazer.

O bebê chorava de um jeito que partia a alma.

Carolina chorava junto.

Impotente.

Destruída.

Então a névoa começou a subir.

Espessa, fria, silenciosa.

Aos poucos, foi engolindo o corpinho do bebê. Antes de desaparecer por completo, ele a olhou com os olhos cheios de lágrimas e chamou, com a voz pequena, embargada de choro:

— Mamãe... Me salva...

— A mamãe está indo!

Carolina juntou todas as forças e se lançou contra a barreira de névoa. Bateu, empurrou, correu para a frente, atirou o corpo contra aquele bloqueio invisível como se pudesse quebrá-lo na marra.

Cada impacto fazia seu corpo tremer.

Mas ela não parou.

Até que, finalmente, atravessou.

Carolina correu para dentro da fumaça.

Só que o bebê já não estava ali.

— Meu filho... Meu amor...

Ela gritava e chorava, tomada por um desespero que parecia arrancar sua carne. Procurava em todos os lados, tropeçando na névoa, chamando sem parar.

— Cadê você? Responde para a mamãe... Por favor, responde... A mamãe não está conseguindo te encontrar...

Procurou por muito tempo.

Tempo demais.

As lágrimas escorriam sem parar, uma depois da outra.

Mas ela não encontrava o bebê.

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