No sonho, ela viu o bebê.
Era o filho dela com Henrique.
Lindo.
Tinha o cabelo curtinho, cheio, os olhos grandes e claros, brilhando como se carregassem luz própria. Os cílios eram longos, o rostinho redondo, macio, perfeito. Quando sorria, sem nenhum dentinho ainda, parecia a coisa mais adorável do mundo.
Com os olhos cheios de alegria, o bebê engatinhava em sua direção.
Carolina abriu os braços para recebê-lo.
Mas ele não chegava.
Continuava engatinhando.
Engatinhando.
Engatinhando.
Por mais que se esforçasse, parecia exausto demais para vencer aquela distância. Até que, sem forças, sentou-se no mesmo lugar e começou a chorar, olhando para ela.
Como se perguntasse, entre soluços:
— Mamãe, por que você não vem me buscar?
Carolina quis se levantar.
Quis correr até ele.
Quis pegá-lo no colo e nunca mais soltar.
Mas não conseguia se mover.
Era como se alguma coisa a prendesse ali, separada do bebê por uma barreira invisível. Ela via tudo. O rostinho molhado, os bracinhos estendidos, o desespero daquele choro. Mas, por mais que tentasse, não conseguia atravessar.
Só podia assistir.
O coração dela parecia ser rasgado por dentro.
E não havia nada que pudesse fazer.
O bebê chorava de um jeito que partia a alma.
Carolina chorava junto.
Impotente.
Destruída.
Então a névoa começou a subir.
Espessa, fria, silenciosa.
Aos poucos, foi engolindo o corpinho do bebê. Antes de desaparecer por completo, ele a olhou com os olhos cheios de lágrimas e chamou, com a voz pequena, embargada de choro:
— Mamãe... Me salva...
— A mamãe está indo!
Carolina juntou todas as forças e se lançou contra a barreira de névoa. Bateu, empurrou, correu para a frente, atirou o corpo contra aquele bloqueio invisível como se pudesse quebrá-lo na marra.
Cada impacto fazia seu corpo tremer.
Mas ela não parou.
Até que, finalmente, atravessou.
Carolina correu para dentro da fumaça.
Só que o bebê já não estava ali.
— Meu filho... Meu amor...
Ela gritava e chorava, tomada por um desespero que parecia arrancar sua carne. Procurava em todos os lados, tropeçando na névoa, chamando sem parar.
— Cadê você? Responde para a mamãe... Por favor, responde... A mamãe não está conseguindo te encontrar...
Procurou por muito tempo.
Tempo demais.
As lágrimas escorriam sem parar, uma depois da outra.
Mas ela não encontrava o bebê.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...