O rosto de Henrique escureceu. Ele não disse uma palavra.
Percebendo a preocupação evidente do acompanhante, a enfermeira comentou em tom profissional, porém cuidadoso:
— Enquanto eu fazia a limpeza agora há pouco, notei que ela é bem sensível à dor. Parece sentir tudo com muita intensidade. Daqui a pouco, na hora das injeções, é possível que ela chore ou grite bastante. Não precisa se assustar, isso é normal.
Henrique assentiu.
— Ela morre de medo de agulha e sente muita dor. Por favor, tente ser o mais cuidadosa possível.
— Pode deixar. — Respondeu a enfermeira.
Com as vacinas e a imunoglobulina nas mãos, ela puxou a porta, fechando-a parcialmente.
Atrás da cortina do leito, Carolina ouviu cada palavra da conversa entre Henrique e a enfermeira. O coração bateu fora do ritmo, sem motivo aparente.
Ao mesmo tempo, achou que a enfermeira estava exagerando.
Era só vacina.
Quando criança, tinha tomado tantas. É verdade que tinha medo de dor e de agulha, mas uma dorzinha dessas ela conseguiria aguentar.
Ou, pelo menos, era o que pensava.
A enfermeira voltou até a maca e começou a preparar as seringas.
Carolina ficou meio recostada na cabeceira da cama, colocou as pernas sobre o leito, respirou fundo algumas vezes e tentou se preparar mentalmente.
Mas ainda era ingênua demais.
Nunca tinha experimentado a crueldade real da vacina antirrábica combinada com a imunoglobulina.
A agulha fina e longa penetrou na região próxima ao ferimento da coxa.
Entrou inteira.
Tão longa quanto era, tão fundo foi.
O conteúdo da seringa começou a ser injetado lentamente no músculo e sob a pele. O tecido foi inchando, endurecendo, até não comportar mais líquido.
Então, sem retirar a agulha, ela foi girada sob a pele, mudando de direção, e a injeção continuou em outro ponto.
A musculatura e as camadas profundas da pele incharam, avermelhadas e tensas.
A dor era lancinante.
Uma dor que perfurava até os ossos, ardida, inchada, ácida, como se estivesse sendo dilacerada por dentro.
A dor fez Carolina cerrar os dentes com força. As duas mãos cobriram a boca, tentando conter o choro. Mesmo assim, lágrimas traidoras escorreram em silêncio, encharcando-lhe o rosto.
Poucos segundos depois, a enfermeira puxou a agulha.
Carolina acreditou, aliviada por um instante, que o pior tinha acabado.
Mas estava enganada.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
É possível obter o e-book completo?...