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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 43

O rosto de Henrique escureceu. Ele não disse uma palavra.

Percebendo a preocupação evidente do acompanhante, a enfermeira comentou em tom profissional, porém cuidadoso:

— Enquanto eu fazia a limpeza agora há pouco, notei que ela é bem sensível à dor. Parece sentir tudo com muita intensidade. Daqui a pouco, na hora das injeções, é possível que ela chore ou grite bastante. Não precisa se assustar, isso é normal.

Henrique assentiu.

— Ela morre de medo de agulha e sente muita dor. Por favor, tente ser o mais cuidadosa possível.

— Pode deixar. — Respondeu a enfermeira.

Com as vacinas e a imunoglobulina nas mãos, ela puxou a porta, fechando-a parcialmente.

Atrás da cortina do leito, Carolina ouviu cada palavra da conversa entre Henrique e a enfermeira. O coração bateu fora do ritmo, sem motivo aparente.

Ao mesmo tempo, achou que a enfermeira estava exagerando.

Era só vacina.

Quando criança, tinha tomado tantas. É verdade que tinha medo de dor e de agulha, mas uma dorzinha dessas ela conseguiria aguentar.

Ou, pelo menos, era o que pensava.

A enfermeira voltou até a maca e começou a preparar as seringas.

Carolina ficou meio recostada na cabeceira da cama, colocou as pernas sobre o leito, respirou fundo algumas vezes e tentou se preparar mentalmente.

Mas ainda era ingênua demais.

Nunca tinha experimentado a crueldade real da vacina antirrábica combinada com a imunoglobulina.

A agulha fina e longa penetrou na região próxima ao ferimento da coxa.

Entrou inteira.

Tão longa quanto era, tão fundo foi.

O conteúdo da seringa começou a ser injetado lentamente no músculo e sob a pele. O tecido foi inchando, endurecendo, até não comportar mais líquido.

Então, sem retirar a agulha, ela foi girada sob a pele, mudando de direção, e a injeção continuou em outro ponto.

A musculatura e as camadas profundas da pele incharam, avermelhadas e tensas.

A dor era lancinante.

Uma dor que perfurava até os ossos, ardida, inchada, ácida, como se estivesse sendo dilacerada por dentro.

A dor fez Carolina cerrar os dentes com força. As duas mãos cobriram a boca, tentando conter o choro. Mesmo assim, lágrimas traidoras escorreram em silêncio, encharcando-lhe o rosto.

Poucos segundos depois, a enfermeira puxou a agulha.

Carolina acreditou, aliviada por um instante, que o pior tinha acabado.

Mas estava enganada.

Capítulo 43 1

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