Com Larissa e Leandro à mesa, não havia silêncio constrangedor.
Leandro falava sem parar, cheio de histórias. Larissa nunca deixava nenhuma frase dele cair no vazio. Sempre emendava, comentava, ria.
O mau humor que tinha acompanhado Carolina por dez dias começou, enfim, a se dissipar. Ela comia em silêncio, tranquila, ouvindo Leandro contar sobre a viagem a trabalho.
Quando ele comentou que tinha passado vários dias seguidos fazendo hora extra, virando noites, tão exausto que quase desmaiava de cansaço, Carolina não conseguiu evitar o pensamento:
"Henrique também deve ter passado por isso?
Virando a noite, lidando com urgências.
Ele devia estar morto de cansaço naquela época.
Será que conseguiu dormir direito depois?"
— O frio em Serra Verde é de rachar. — Suspirou Leandro. — Ainda bem que tenho uma esposa maravilhosa, que encheu minha mala de roupa grossa. O Rick, coitado. Assim que desceu do avião, ficou tremendo feito vara verde.
A mão de Carolina ficou suspensa no ar, segurando os talheres. O coração se apertou. Ela ergueu o olhar, tensa, em direção a Henrique.
Ele estava de cabeça baixa, mexendo no celular. A expressão era calma, relaxada, como se a conversa não tivesse nada a ver com ele.
Em Porto Velho, dezembro não costumava ser frio. Bastavam uma ou duas peças mais quentes por baixo e um casaco para atravessar todo o inverno.
Naquele momento, Henrique usava apenas uma blusa branca de tricô. As mangas estavam levemente arregaçadas, revelando antebraços fortes e bem definidos. O casaco preto tinha sido deixado jogado sobre o encosto da cadeira.
Talvez sentindo o olhar dela, ele ergueu lentamente a cabeça. Desviou os olhos da tela do celular e a encarou.
No instante em que seus olhares se cruzaram, o coração de Carolina deu um aperto seco. Ela desviou os olhos às pressas, pegou um pedaço de couve e abaixou a cabeça, fingindo se concentrar no prato.
Larissa riu.
— Solteirão é tudo igual. Sem mulher por perto, sai sem olhar o clima, não faz ideia nem de levar um casaco a mais.
Henrique sorriu de leve. Colocou o celular sobre a mesa. Pegou os talheres para servir um pedaço de peixe.
— É verdade. Então, cunhada. Que tal me apresentar alguém?
Carolina sentiu como se até a verdura tivesse entalado na garganta. Engoliu em seco, com dificuldade.
Larissa arregalou os olhos, surpresa.
— Mas você é o Henrique. Precisa mesmo que eu te apresente alguma garota?
Henrique assentiu, sem hesitar.
— Preciso.
— Ué, mas a Lílian não é sua namorada?
— Não. Ela é filha de uma grande amiga da minha mãe. Uma espécie de irmã mais nova, sem parentesco de sangue.


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