Marcelo passou o braço pelos ombros de Henrique, num gesto aparentemente descontraído.
— Tá com tanta pressa assim pra arrumar namorada? Quer que eu te apresente alguém?
Henrique afastou o braço dele sem cerimônia.
— Tanto faz. Aproveitando que estou de folga nesses dias, vocês podem marcar. Eu vou conhecer todas.
Leandro, animado, já pegou o celular. Enquanto digitava no WhatsApp, perguntou, rindo:
— Seus pais não te passaram nenhuma missão de casamento, né? Tá parecendo que entrou numa corrida contra o tempo pra casar?
Henrique curvou levemente os lábios, num meio sorriso difícil de decifrar.
— É que vendo você e sua mulher tão grudados assim, deu até inveja.
Larissa e Leandro trocaram um olhar cúmplice e sorriram juntos.
Carolina, por outro lado, sentia-se completamente deslocada.
Como se estivesse sentada à margem da mesa. Ou pior, presa dentro de um freezer invisível.
Não queria falar.
De repente, perdeu totalmente o apetite.
Ver Henrique procurando pretendentes bem diante dela era como jogar sal grosso numa ferida ainda aberta, rasgando a dor sem piedade.
Ela não podia ficar com ele.
Mas isso não significava que tivesse deixado de amá-lo.
Mesmo que, um dia, ele se casasse, tivesse filhos. Isso não teria nada a ver com ela.
Ela sabia disso.
Mas precisava ser ali.
Na frente dela.
Talvez o céu achasse que ela ainda não tinha sofrido o suficiente. Que o castigo ainda não estava completo.
Então mandou Henrique até ali. Só pra terminar o serviço.
— Carolina.
A voz dele a chamou de repente.
O coração dela deu um solavanco. Carolina levantou o olhar, encarando-o, tomada por uma tensão inexplicável.
No rosto bonito de Henrique surgiu um leve sorriso, tranquilo, como se não estivesse pisando em terreno minado.
— Você não tem alguma colega solteira no trabalho? — Disse, com naturalidade. — Também pode me apresentar alguém.
A faca acabou vindo das mãos de Henrique. Cravada direto no coração dela.
Carolina se esforçou para puxar um sorriso, mas ele saiu duro, artificial. O peito doía em ondas.
Fingindo calma, ela balançou a cabeça.
— Não tenho.
— Ué, não é bem assim. — Larissa se intrometeu. — No seu escritório de advocacia não tem aquela mulher lindíssima? Acho que ela é solteira.
Carolina apoiou as mãos nas pernas, apertando com força o tecido da calça, como se aquilo pudesse conter algo prestes a transbordar.
— Ela é dez anos mais velha que o Henrique. Não é muito adequado.
Henrique entrou na conversa sem hesitar.

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