Larissa descrevia a amiga com entusiasmo, cheia de detalhes, apresentando-a a Henrique como se estivesse vendendo uma joia rara.
O olhar dele, porém, permanecia voltado para a porta. Acompanhou as costas de Carolina até ela desaparecer do salão reservado. Só então o sorriso em seu rosto foi se apagando, pouco a pouco. Diante da apresentação animada de Larissa, ele apenas assentia, educado, claramente sem muito interesse.
No quintal do restaurante rural, do lado de fora.
A lua em forma de crescente pendia no céu. O vento frio era cortante, mas limpo. Os insetos noturnos já não cantavam como no auge do verão. Restavam poucos, espalhados, emitindo sons esparsos e lentos, quase tímidos.
Carolina apoiava-se no corrimão de bambu, olhando para a noite enevoada.
O corpo esguio e delicado estava envolto pela luz amarelada acima de sua cabeça. Ao redor dela pairava uma solidão silenciosa, como se tivesse acabado de sair de uma tempestade violenta, exausta até os ossos.
Estava visivelmente abatida.
E, ainda assim, insistia em parecer forte.
Ela ficou ali fora por muito tempo, deixando o vento soprar sobre si.
Quando Larissa saiu para procurá-la, Carolina acabou voltando para o salão com ela.
Depois de se sentar, Leandro brincou:
— Já estava achando que você tinha caído dentro do vaso.
Ela sorriu de leve, sem responder.
Com o passar do tempo, perdeu a fome de vez e não voltou a tocar na comida.
O encontro chegou ao fim.
Henrique não tinha bebido. Carolina entrou no carro e se acomodou no banco do passageiro.
O interior do veículo era perfumado, silencioso. E sufocante.
Depois de entrar, Henrique colocou o cinto de segurança e, de repente, pousou um saco sobre o colo dela.
Mesmo através da calça, Carolina sentiu um calor suave encostar na pele.
Ela abaixou a cabeça e olhou para o colo.
— O que é isso?
Henrique deu a partida. Com uma das mãos no volante, virou lentamente para fora do estacionamento.
— Uns pastéis pequenos de camarão que sobraram do jantar. — Disse, com naturalidade. — Achei um desperdício jogar fora, então pedi pra embalar.
Mas eles nem tinham pedido aquilo durante a refeição.
E, além disso, que tipo de sobra estaria tão quente assim?
Carolina abriu o saco de papel. Dentro havia uma caixinha transparente, com seis pastéis dourados, alinhados com cuidado. O aroma de camarão misturado à manteiga subiu de imediato, quente, envolvente.
— Frutos do mar não podem ficar pra outro dia. — Ele comentou, como se fosse óbvio. — Come enquanto ainda tá quente.
Durante o jantar, Carolina quase não tinha comido nada. Estava sem apetite.

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