"Eva"
As palavras da Gabriele estavam caindo como bombas sobre a minha cabeça. Como um dos meus irmãos tinha sido capaz de tanta canalhice? Logo um deles, que viram todas as humilhações que a nossa mãe sofreu com aquele babaca do ex marido dela e que a pressionaram tanto para se separar e denunciá-lo. Em quê o Elias era melhor que o pai dele ou melhor que o Leon para ficar passando lição de moral neles? Ele era farinha do mesmo saco e naquele momento eu estava enojada com o meu irmão.
- Minha nossa, Gabi! - Foi tudo o que eu consegui dizer. Eu estava chocada, com o rosto enterrado nas mãos, envergonhada por aquele comportamento do meu irmão. Envergonhada por mim mesma. - Eu fui uma amiga horrível! Eu... eu... como eu não percebi nada?
- Você não foi uma amiga horrível. Eu escondi de você. Acho que eu fui a amiga horrível.
- E sempre que ele vinha, vocês... - Eu a encarei, as minhas lágrimas caíam espelhando as dela, sentindo dor pela minha amiga.
- É! Ele dizia que tinha terminado com ela, que gostava de mim e eu acreditava, porque você sempre confirmava que eles tinham terminado.
- Era o que eu sabia, mas agora nem acredito mais! Merda! - Eu xinguei me dando conta do término dela e do cafejeste. - Você me contou que tinha terminado com aquele cretino poucos dias antes do casamento dele e você me disse que não ia ao casamento quando eu te convidei, inventou um monte de desculpas...
- Eu descobri que ele estava de casamento marcado porque você me mostrou o convite. Aí eu exigi dele uma explicação e ele só me disse que ia se casar. Eu fui tão idiota, eu ainda perguntei pra ele se a noiva estava grávida, se era por isso que ele estava se casando e ele me disse que não, que ele ia se casar porque gostava dela. E ele se casou. Mas, Eva, eu juro, eu nunca mais fiquei com ele, eu nunca mais cheguei perto dele, só as poucas vezes que eu não sabia que ele estava na sua casa.
- Por isso você sempre evitava ir lá em casa quando os meus irmãos estavam na cidade. - Tudo começou a fazer sentido pra mim e eu me lembrei de um detalhe. - No dia do jantar, quando você foi ao banheiro...
- Ele foi atrás de mim, tirar satisfações, queria saber o que eu estava fazendo com o Matheus, se eu realmente gostava dele. Eva, naquele dia eu usei o Matheus e ele percebeu, aquele Carrapato é muito esperto, ele entrou no jogo, mas quis saber a verdade, por isso eu contei pra ele.
- Você ainda gosta do Elias, Gabi?
- Não! Mas ele me magoou, isso é difícil esquecer. E ele me procurou algumas vezes depois que se casou, dizendo que ia se separar e coisa e tal. Conforme o que você me contava, eu percebi um padrão, ele sempre me procurava quando brigava com a mulher, mas eu sempre o colocava pra correr. Eu queria que o Elias soubesse que eu virei a pagina e segui em frente, por isso eu usei o Matheus.
- Isso não parece que você esqueceu o Elias. - Eu apontei.
- Mas eu esqueci! De verdade, eu esqueci!
- Então por que você continua sozinha? Por que você não dá uma chance para o Matheus? Vocês dois estão se curtindo, isso pode virar algo bom.
- O Matheus, Evita? Eu vou virar mais uma na cama dele! Quer dizer, não exatamente na cama dele. - Ela bufou.
- Talvez você seja a única na cama dele, Gabi!

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