“José Miguel”
Eu saí da cama sentindo o gosto amargo do arrependimento. Eu não apenas havia passado a noite fora de casa, como tinha passado a noite com outra mulher. Eu era um fraco, incapaz de manter as promessas que eu fazia! Eu fui para o banheiro e tomei um banho, precisava lavar o cheiro daquela mulher do meu corpo. Depois do banho eu vesti o terno limpo que mantinha ali e fui para o trabalho.
Eu mantinha aquele apart como um refúgio, como um lugar para onde eu ia sempre que a Carmem me fazia sentir sobrecarregado ou cansado demais. Mas eu nunca dormia fora de casa, essa tinha sido a primeira vez em anos e é claro que a Carmem já sabia, a essa altura, que eu tinha dormido fora de casa. Mas eu tinha que ir para o trabalho e lidaria com a Carmem e com a culpa que me consumia mais tarde.
Eu passei o dia no inferno, tentando trabalhar enquanto a minha mente insistia em colocar imagens daquela mulher estranha e sedutora diante dos meus olhos, sentindo a culpa pela minha falta me corroer e pensando no estardalhaço que a Carmem faria quando eu chegasse em casa. A Carmem... ela me ligou tantas vezes que eu nem sabia mais e eu mandei cada chamada para a caixa de mensagens. Recusei cada ligação que ela fez para o escritório, dizendo a minha secretária para dizer que eu estava em reunião.
E um estardalhaço foi exatamente o que aconteceu assim que eu coloquei os pés em casa no início da noite, depois de um dia exaustivo no trabalho, eu fui cercado pela Carmem, com suas cobranças e seus gritos cada vez mais frequentes. Aquela mulher estava devastando a minha sanidade, dia após dia.
- Parabéns, José Miguel, você realmente se superou dessa vez! – A Carmem se levantou do sofá e veio em minha direção, com a voz fria e a cobrança na ponta da língua.
- Carmem, por favor... – Eu comecei a falar, mas ela não estava disposta a ouvir.
- Por favor nada, José Miguel! Olha pra você, nem consegue manter uma promessa.
- Carmem, eu só dormi fora de casa! – Eu respondi e ela riu, aquele riso frio e cortante.
- Só? Tem certeza, José Miguel? Tem certeza que não teve nenhuma companhia? – Ela me encarou e o seu olhar parecia me perfurar, era como se ela pudesse ler a minha mente.
- Carmem, olha só. Ultimamente você está me pressionando demais. – Eu tentei argumentar, mas ela começou a chorar.
- Eu estou te pressionando demais? Você é quem está se esquecendo, José Miguel! Se esquecendo da sua família, se esquecendo de todos os sacrifícios feitos, se esquecendo das promessas que você fez! Por que, José Miguel, por que? Sua família não merece mais a sua lealdade? – A Carmem gritou e se sentou no sofá, com as mãos no rosto enquanto soluçava.

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