O sol já começava a aquecer o acampamento quando comecei a preparar o espaço para a aula de yoga da manhã. O gramado ao redor estava úmido com o orvalho da noite, e o som tranquilo das árvores balançando ao vento criava o ambiente perfeito para relaxamento.
Os funcionários começaram a chegar, mas não vi Nicolas entre eles.
— Ele teve que lidar com algumas questões administrativas — um dos diretores comentou casualmente. — Disse que viria depois, mas acho difícil.
Assenti, tentando esconder minha decepção.
Claro que ele não viria.
Nicolas Sartori, CEO da empresa, não parecia o tipo de homem que se sentava no chão para alongar e respirar profundamente. Se já havia sido difícil convencê-lo a participar da aula no dia anterior, era óbvio que ele aproveitaria qualquer desculpa para escapar dessa.
Ou pelo menos era o que eu pensava.
Depois da aula, enquanto eu guardava os tapetes e ajeitava o espaço, ouvi uma voz atrás de mim.
— Então é assim que você convence meus funcionários a trabalharem melhor?
Virei-me e encontrei Nicolas parado a poucos metros de distância, as mãos nos bolsos e a expressão carregada de uma leve ironia.
— Se soubesse os benefícios, teria vindo antes — retruquei, erguendo uma sobrancelha.
Ele soltou um suspiro pesado.
— Preciso fazer essa aula sozinho, não é?
Cruzei os braços, analisando-o.
— Foi você quem faltou, Sartori.
Ele apertou os lábios, claramente arrependido por ter aparecido ali.
— Vamos lá, não deve ser tão difícil — insisti, pegando um dos tapetes e estendendo-o no chão. — Ou você tem medo de não conseguir?
Ele estreitou os olhos.
— Isso foi uma provocação?
Sorri.
— Um incentivo.
Depois de um momento de hesitação, ele respirou fundo e tirou o blazer, ficando apenas com a camisa de manga longa ajustada ao corpo. O tecido destacava seus ombros largos e a tensão acumulada em seus músculos, um detalhe que, confesso, não passou despercebido por mim.
— Tudo bem. Vamos acabar logo com isso — ele resmungou, sentando-se no tapete.
— Ah, não. Nada de pressa. O segredo da yoga é paciência.
Ele revirou os olhos, mas seguiu minhas instruções enquanto eu começava a guiá-lo pelo processo de respiração.
— Inspire pelo nariz, contando até quatro… segure o ar… e solte lentamente pela boca.
Ele tentou. Tentou mesmo. Mas a cada nova orientação, ficava claro que relaxamento não era o seu ponto forte. Seu corpo parecia preparado para responder a qualquer ameaça invisível, como se estivesse sempre em modo de alerta.
— Seus ombros ainda estão rígidos — comentei, me aproximando dele.
— Eles sempre são assim.
— E esse é exatamente o problema.
Ajoelhei-me atrás dele e deslizei os dedos suavemente sobre seus ombros, incentivando-o a soltar a tensão. O contato fez Nicolas prender a respiração por um segundo a mais do que deveria.
— Isso não vai funcionar se você continuar travado desse jeito — murmurei, abaixando o tom de voz.
— Estou tentando.
— Não parece.
Ele soltou um suspiro carregado de frustração.
— Talvez eu simplesmente não consiga relaxar perto de você.
Minha boca se entreabriu.

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