A tarde seguia seu ritmo tranquilo no acampamento. O sol brilhava forte no céu, e o refeitório começava a encher conforme os funcionários se acomodavam para o almoço. O aroma de comida recém-preparada pairava no ar, misturando-se ao som das conversas animadas, tornando o ambiente acolhedor, quase normal.
Quase.
Porque, apesar da conversa animada ao meu redor, minha mente estava em outro lugar. Ou melhor, em outra pessoa.
Letícia.
Desde o primeiro dia no acampamento, eu percebia algo estranho nela. Claro, não era surpresa nenhuma que ela não gostava de mim. O problema era que seu interesse nos negócios da Sartori parecia maior do que o normal para alguém que, teoricamente, só estava aqui como namorada de Nicolas. Ela trabalhava na Sartori, mas até onde eu sabia passava longe de ser de uma área administrativa.
Ela tinha um interesse real nos negócios da Sartori, e não era por amor a Nicolas. O que eu ainda não entendia exatamente era o que ela estava tentando fazer e com quem estava trabalhando.
E eu não descansaria até descobrir.
— Você não acha que está exagerando? — Teri perguntou, pegando um pedaço de carne e me lançando um olhar curioso.
Pisquei algumas vezes, voltando minha atenção para ela.
— Como assim?
— Você está encarando Letícia como se estivesse tentando queimar a mulher com o olhar.
— Eu não estou encarando — resmunguei, mexendo distraidamente no meu copo de suco.
— Claro que está. — Teri riu. — Mas tudo bem, se você diz que não, então não.
Suspirei e resolvi mudar de assunto.
— E você? Como foi a noite passada?
Ela arqueou uma sobrancelha, mas um sorriso apareceu no canto de seus lábios.
— Se eu te disser que foi interessante, você vai me fazer perguntas?
— Muitas — respondi sem hesitar.
— Ricardo e eu… — Teri hesitou por um segundo, como se estivesse escolhendo as palavras. — As coisas estão indo rápido.
— Rápido do tipo estamos nos pegando sempre que temos uma oportunidade ou rápido do tipo eu já sei até o prato favorito dele?
Ela revirou os olhos.
— Um pouco dos dois.
— Então quer dizer que a coisa está séria?
Ela deu um gole no suco e suspirou.
— Eu não sei. É estranho. Como se ele já tivesse estado na minha vida de alguma forma. Eu só acho que tem algo diferente. Mas de um jeito bom.
Fiquei em silêncio, absorvendo suas palavras. Ela não se lembrava. Mas algo dentro dela sentia.
E se fosse assim que Nicolas se sentia em relação a mim?
Ele não tinha lembranças do que vivemos antes, mas havia momentos em que seus olhos me analisavam como se buscassem por algo que escapava à sua compreensão. Como se uma parte dele soubesse que eu já fui dele, que já nos pertencemos de alguma forma.
A ideia me fez prender a respiração por um instante. E se, no fundo, Nicolas sentisse o mesmo que Teri estava descrevendo? Algo além da lógica, uma conexão invisível que o fazia me procurar, hesitar, reagir ao meu toque?
Se isso fosse verdade, então talvez… talvez eu tivesse uma chance.
— Então você acha que deve investir nisso?
— Ayla, o cara é um Deus grego e, de bônus, ainda é rico. Você acha que não?

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