O domingo passou como um borrão, mas eu percebi cada segundo que Ayla passou me evitando.
Desde a noite anterior, ela parecia determinada a fingir que eu não existia. Nenhum olhar, nenhuma provocação, nenhuma chance de me aproximar. Ela sempre encontrava uma maneira de sair de perto antes que eu conseguisse dizer qualquer coisa.
E isso me incomodava mais do que eu estava disposto a admitir.
Amanhã seria o último dia do acampamento. A última oportunidade antes de voltarmos à rotina, ao escritório, à distância segura que ela parecia ansiosa em querer colocar entre nós.
E eu me recusava a ir embora sem resolver isso.
Mas entre Letícia grudada em mim e Ayla fugindo na direção oposta, parecia impossível sequer trocar uma palavra com ela.
Suspirei, passando a mão pelos cabelos depois de mais um jogo de futebol entre os funcionários. Ricardo me lançou um olhar de soslaio enquanto bebia um gole de água.
— Você está tenso.
— Estou bem — menti.
Ele riu, claramente não acreditando em mim.
— Sei. Tem certeza de que não tem nada a ver com aquela professora de dança que esteve te ignorando o dia inteiro?
Fuzilei-o com o olhar, mas Ricardo apenas deu de ombros e voltou ao jogo.
Bufei, desistindo de encontrar Ayla ali e decidindo ir até minha cabana para tomar um banho e tentar reorganizar os pensamentos. Mas, assim que abri a porta, meu corpo inteiro travou.
Letícia estava sentada na minha mesa, mexendo no meu computador.
Ela levantou os olhos no instante em que me viu e sorriu, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
— Você voltou cedo — disse ela, casualmente.
Fiquei parado por um momento, tentando controlar a irritação que subiu pelo meu peito.
— O que você está fazendo?
— Precisava enviar um e-mail — respondeu, fechando a tela do notebook como se nada tivesse acontecido.
Cruzei os braços.
— Você tem um celular.
Letícia riu, como se eu estivesse sendo dramático.
— Meu sinal está ruim aqui. E eu precisava de alguns arquivos.
Estreitei os olhos. Isso não fazia sentido.
Ela poderia ter pedido o computador. Poderia ter falado comigo antes. Mas não. Preferiu esperar eu sair para mexer nele sozinha.
Mesmo assim, engoli a suspeita e passei por ela.
— Da próxima vez, peça antes — foi tudo o que disse antes de ir para o banho.
Mas a sensação ruim ficou.
O tempo passou rápido, e quando percebi já era noite de Oscar. A maioria dos funcionários se reuniu no refeitório para assistir à premiação. O barulho das conversas animadas ecoava pelo salão, todos aproveitando as últimas horas antes de voltarmos para nossas vidas normais.
E foi então que vi Ayla sozinha pela primeira vez no dia inteiro.
Ela carregava algo volumoso nos braços, e, quando me aproximei, percebi que era uma barraca de acampamento tradicional, dessas de lona grossa.
Franzi a testa.
— O que você está fazendo?
Ela se virou para mim, aparentemente surpresa, mas recuperou a compostura rapidamente.
— Preciso de uma noite olhando as estrelas.
Arqueei uma sobrancelha, cruzando os braços.
— Você sabe como montar isso sozinha?
Ela ergueu o queixo, divertida.
— Alguém me ensinou uma vez. Espero conseguir fazer sozinha agora.
Balancei a cabeça, rindo baixinho.
— Não vai assistir ao Oscar?
Ayla deu de ombros.
— Nada de interessante vai acontecer até 2025.
Eu ri, já acostumado com os comentários enigmáticos dela.
— E o que acontece em 2025?

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