~NICOLAS~
A pena branca, um dia presa a uma roupa de dançarina de cancã, girava entre meus dedos, subindo e descendo em movimentos calculados enquanto eu encarava o vazio. Era um gesto repetitivo, quase hipnótico, e o único pensamento que parecia me prender à realidade era Nyx. Desde o momento em que nossos caminhos se cruzaram naquele terraço, eu não conseguia tirá-la da cabeça. Sua presença se misturava com a sensação fria da chuva e o cheiro de desespero que parecia cercá-la. Algo nela havia me desestabilizado de uma forma que eu não esperava, e essa obsessão estava começando a me consumir de um jeito que eu não conseguia entender.
A pena continuava entre meus dedos, o único resquício físico daquela noite. Era uma lembrança tão frágil quanto ela parecia ser naquele momento, pendendo à beira do abismo, enquanto eu, com uma estranha urgência, me apressava para salvá-la. Não sabia por que isso importava tanto, mas, de alguma forma, ela se tornara parte dos meus pensamentos mais profundos.
O som da porta se abrindo interrompeu meus devaneios, e eu rapidamente soltei a pena, deixando-a repousar sobre a mesa.
— Nicolas, trouxe o arquivo sobre aquela oportunidade que havíamos conversado — a voz de Ricardo Belmonte encheu a sala com uma familiaridade que me fez recobrar o foco.
Ricardo era mais que meu sócio ou primo, ele era um dos poucos amigos em quem eu confiava cegamente. Tínhamos crescido juntos, e sua presença no Grupo Sartori era essencial para a retomada da nossa força no mercado. Ambicioso, prático e sempre um passo à frente dos outros, Ricardo era o tipo de homem que sabia o que queria e como consegui-lo. Seus cabelos castanhos, sempre impecavelmente bagunçados para parecer desleixados, e o sorriso ligeiramente irônico que o acompanhava em qualquer conversa eram suas marcas registradas.
Ele se aproximou da mesa e jogou um arquivo sobre ela, seus olhos curiosos analisando rapidamente a pena que eu tentava ignorar.
— Isso é sobre a região de que falamos? — perguntei, tentando me concentrar nos negócios.
— Sim — respondeu Ricardo, arrastando a cadeira para sentar-se à minha frente. — Aquele local promissor que vai passar por uma revitalização. A área já está começando a ser visada por alguns investidores, e adivinha quem já está mexendo os pauzinhos por lá?
— Letícia? — Eu perguntei, já sabendo a resposta.
— Exatamente — ele confirmou com um sorriso enviesado. — Letícia Martins, a própria.
Letícia era nossa concorrente mais direta no setor. Uma mulher implacável e inteligente, que nunca deixava passar uma boa oportunidade sem lutar com unhas e dentes. Ela já havia tentado nos vencer em outros projetos antes, e agora, pelo visto, estava tentando garantir o controle daquela região.
— Ela já está negociando com os donos de alguns prédios e imóveis ali. Se quisermos entrar na briga, temos que agir rápido.
Eu assenti, absorvendo as informações. Letícia tinha um histórico de fazer movimentos agressivos no mercado, mas isso não me preocupava tanto. Tínhamos conseguido vencer outras batalhas, e essa não seria diferente.
— Faça o que achar que deve, Ricardo. Confio no seu julgamento — respondi, inclinado para trás na cadeira e cruzando os braços. — Mas fique de olho na Letícia. Se ela está se mexendo tão cedo, é porque sabe de algo que nós ainda não sabemos.
Ricardo me olhou por alguns instantes, seus olhos avaliando minha postura com uma pitada de curiosidade. Ele balançou a cabeça e abriu um sorriso, apoiando o cotovelo na mesa e se inclinando para mim.
— Posso te fazer uma pergunta, Nico? — ele começou, o tom de quem já sabia a resposta. — Por que diabos você está tão distraído hoje? Não é típico seu confiar em mim tão rápido numa jogada como essa.
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