Entrar Via

Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 13

O céu ainda estava começando a clarear quando Teri e eu finalmente chegamos em casa, depois de mais uma longa noite de domingo na boate. O silêncio das ruas contrastava com a agitação dos nossos corpos exaustos, e tudo o que eu queria naquele momento era um banho quente e minha cama. Meus pés doíam, e o cansaço pesava em cada músculo. Estava difícil até manter os olhos abertos.

Enquanto nos aproximávamos da portaria do prédio, notei Vanessa e Raul conversando em voz baixa. Vanessa era minha vizinha, mãe solteira de dois filhos pequenos, sempre correndo para equilibrar a vida e o trabalho. Raul, o porteiro, era uma presença constante e tranquila, sempre com um sorriso no rosto, mas naquela manhã, ele parecia um pouco mais sério que o normal.

Por mais que os adorasse, eu estava tão cansada que suspirei, desejando poder simplesmente passar por eles sem que nada fosse dito, mas Vanessa foi rápida em nos notar.

— Vocês já sabem da novidade? — ela perguntou, a voz carregada de uma mistura de ansiedade e urgência.

Eu troquei um olhar com Teri, que também parecia cansada, mas a curiosidade nos forçou a parar. Algo na expressão de Vanessa nos fez entender que o assunto era importante.

— O que está acontecendo? — perguntei, tentando manter a voz firme apesar da exaustão.

— Estão comentando sobre a venda dos imóveis da região — Vanessa respondeu, cruzando os braços enquanto olhava para Raul, buscando confirmação.

Teri franziu o cenho, claramente confusa.

— Como assim, venda dos imóveis? — ela perguntou, a preocupação já se infiltrando na voz.

Raul soltou um suspiro pesado antes de falar, passando a mão pela testa. Ele sempre foi um homem de poucas palavras, mas quando ele falava, era direto ao ponto.

— Parece que querem desapropriar toda a região para construir um grande condomínio de luxo. Já começaram a fazer propostas.

Teri soltou um riso curto, quase incrédulo, mas logo seus olhos se estreitaram de raiva.

— Eu sabia que essa história de revitalização do bairro era só uma desculpa para expulsar a gente daqui! — ela disse, furiosa. — É sempre assim, eles prometem melhorias, mas no fundo só querem tirar as pessoas como nós daqui.

Vanessa, com o rosto pálido, balançou a cabeça em negação.

— Mas para onde vamos? — ela perguntou, a voz frágil, quase um sussurro. — Eu tenho dois filhos. Isso aqui é tudo o que a gente tem.

A dor na voz de Vanessa me atingiu como uma pedra. Eu sabia exatamente o que ela estava sentindo. Assim como eu e Teri, ela morava de aluguel, e o prédio inteiro pertencia a um único proprietário. Se ele decidisse vender, estaríamos todos fora. E encontrar outro lugar no Rio de Janeiro, especialmente com um preço tão acessível quanto aquele, era uma missão quase impossível.

Eu não podia deixar de me perguntar a mesma coisa: para onde iríamos? Com os preços absurdos dos aluguéis, seríamos empurradas para as comunidades, e isso seria ainda mais difícil para Vanessa com duas crianças pequenas. O Rio de Janeiro já não era o lugar mais seguro do mundo e dependendo de para onde a gente fosse essa violência só se agravava.

— Por enquanto, são só fofocas, não é? — tentei amenizar a situação, forçando um sorriso. — Talvez nem aconteça nada.

Raul, no entanto, parecia cético.

— Não posso parar de ajudar aquelas pessoas.

O trabalho da ONG significava muito para mim. Era um projeto que oferecia apoio a mães carentes, dando suporte emocional e financeiro para mulheres que, assim como eu, estavam passando por momentos difíceis. Desde que perdi meus filhos, encontrar maneiras de ajudar outras mães se tornou uma necessidade quase visceral. Sentia que, de alguma forma, estava mantendo a memória de Heitor e Manuela viva.

Teri suspirou, parando no meio do caminho, e se virou para me encarar.

— Isso é muito nobre, Ayla, de verdade. Mas você precisa se ajudar também. Não dá pra você se afundar tanto assim sem cuidar de si mesma.

Ela tinha razão, é claro. Eu me ajudava da maneira que podia, mas entre as sessões de terapia e os remédios caríssimos que ainda tomava para lidar com os traumas, meu dinheiro escorria pelo ralo como a chuva que cai sem parar, encharcando tudo sem que se perceba. E agora, com essa nova ameaça sobre o prédio, eu precisava economizar mais do que nunca. O problema era que o que sobrava mal dava para sobreviver, muito menos para guardar.

— Eu sei — murmurei. — Mas eu não posso parar.

Teri não disse mais nada, mas eu podia sentir que ela estava preocupada comigo, talvez mais do que eu mesma estava. Subimos os últimos degraus em silêncio, e meus pensamentos voltaram para a decisão que eu havia tomado. Dormir com os clientes. Era algo que eu nunca imaginei que faria, e só de pensar nisso, meu estômago revirava de desconforto. Ainda assim, era a única forma que eu tinha para juntar dinheiro rapidamente.

Eu sabia que não estava confortável com aquilo. Não queria fazer, mas não tinha escolha. O peso da realidade era inescapável.

Quando chegamos ao apartamento, eu mal conseguia pensar em outra coisa além do banho que me esperava. Mas mesmo a água quente não seria capaz de lavar a angústia que se acumulava dentro de mim.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário