~AYLA~
O vapor quente do chuveiro envolvia meu corpo, mas, apesar do calor, um arrepio de nervosismo percorria minha pele. A água deslizava pelos meus ombros, caindo em cascata, mas parecia inútil tentar lavar a tensão que crescia a cada segundo. Tomei meu tempo no banho, prolongando cada segundo como se fosse um último respiro antes de mergulhar no desconhecido.
Saí do chuveiro e me enrolei em uma toalha, caminhando lentamente até a penteadeira no camarim. Cada movimento que eu fazia parecia pesado, como se estivesse arrastando um peso invisível, mas real. Coloquei uma lingerie que destacava minhas curvas e escolhi um vestido curto, que caía como uma segunda pele sobre meu corpo. Algo bonito, mas que me fazia sentir mais exposta do que qualquer mulher gostaria. Passei o perfume nos pulsos e atrás das orelhas, o aroma familiar tentando me acalmar, sem sucesso.
Enquanto me olhava no espelho, observando meu reflexo cuidadosamente maquiado, percebi como meu rosto não revelava o turbilhão de emoções que borbulhava dentro de mim. Por fora, eu estava impecável — uma mulher confiante e sedutora, exatamente o que Lorenzo queria que eu fosse. Mas, por dentro, cada passo que eu dava em direção àquele momento me fazia sentir mais vulnerável.
— Relaxa, Nyx — Teri disse, observando-me enquanto terminava de se arrumar do outro lado do camarim. — Vai dar tudo certo. Além do mais, o cara deve ser cheio da grana. Lorenzo tá com uma cara de quem acabou de ganhar na loteria.
Tentei rir, mas o som morreu antes de escapar por completo. Era impossível fingir que aquilo era algo natural para mim. Cada parte do meu corpo parecia estar em desacordo com o que estava prestes a acontecer. Teri falava com a confiança de quem já havia se tornado imune a qualquer hesitação, mas para mim, essa era uma escolha carregada de peso. Cada passo que eu dava me afastava da promessa que um dia fiz a mim mesma, como se estivesse traindo a minha própria essência.
A porta do camarim se abriu de repente, e Lorenzo entrou com um sorriso largo no rosto, tão satisfeito que parecia que o mundo inteiro girava ao seu redor.
— Nyx, tá na hora — disse ele, com os olhos brilhando de empolgação. — Seu cliente reservou a suíte presidencial e já está esperando por você.
A suíte presidencial. Um nome pomposo para o quarto mais "luxuoso" da boate. No fim das contas, não passava de um quarto um pouco maior, com móveis ligeiramente melhores do que os outros e um melhor sistema de isolamento de som. Lorenzo cobrava o triplo pelo uso daquela suíte, mas ela quase nunca era usada. No segundo andar, havia cerca de dez quartos menores, onde a maior parte dos clientes subia após as performances, mas a suíte presidencial, no terceiro andar, era reservada para ocasiões especiais — e hoje seria uma dessas ocasiões. A única diferença real era o espaço e a cama, que não rangia como as dos outros quartos.
Teri se levantou, franzindo o cenho, e correu até Lorenzo.
— Quem é o cara? — perguntou ela, curiosa e com uma pitada de desconfiança.
— Não se preocupa, você não o conhece — Lorenzo respondeu, com um sorriso malicioso.
Teri cruzou os braços, desdenhando.
— Eu conheço todos os caras que frequentam essa boate, Lorenzo. — Ela lhe lançou um olhar ameaçador. — Se você escolheu algum psicopata pra Nyx, eu juro que...
Lorenzo levantou as mãos em rendição, ainda rindo.
— Relaxa, Teri. Ele é um cliente VIP. Já pagou por tudo com antecedência. Está tudo sob controle.
Eu tentei me acalmar, forçando um sorriso para Teri e Lorenzo.



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