A ansiedade que antes estava apenas em minha mente agora parecia preencher cada centímetro daquele quarto. Eu continuava inquieta, alternando o olhar entre o relógio e a porta, esperando ouvir o som de passos ou o clique da maçaneta anunciando a chegada de Nicolas. Mas ele não apareceu.
Eu não conseguia entender por que ele tinha reservado todas aquelas noites e simplesmente decidia não vir. Tudo bem, ele disse que isso poderia acontecer, mas era estranho, frustrante, e me deixava cheia de perguntas.
O silêncio pesado do quarto me incomodava. A decoração, o sofá de couro, a cama king size, o bar, tudo parecia feito para alguém que quisesse relaxar, se divertir. Eu sabia que podia pedir o que quisesse, mas, por algum motivo, não consegui. Mesmo tendo a liberdade que ele me deu, aquilo parecia quase um castigo.
Dinheiro podia não ser um problema para quem gastava 50 mil reais comigo em um leilão e mais 600 reais por noite, mas ainda assim, eu me recusava a abusar. Sentia-me desconfortável com a ideia de aproveitar tanto assim da situação. Era surreal.
Eu me recostei no sofá por alguns minutos, tentando organizar meus pensamentos. O que ele realmente queria? Por que ele pagaria tanto para simplesmente não aparecer? Isso não fazia sentido. Eu sabia que Nicolas era diferente dos outros homens que frequentavam a boate, mas ainda assim, não conseguia entender o que o motivava. Se ele queria me usar como uma peça de xadrez no seu tabuleiro de poder, por que não estava jogando?
Minutos se passaram. O silêncio do quarto começou a me sufocar. Então, a porta se abriu com um estrondo, e Teri entrou no quarto como um furacão, balançando o cabelo para trás e com os olhos brilhando de fofoca fresca. Ela sempre soube onde se metia, e hoje não parecia ser diferente.
— Você não vai acreditar no que eu descobri! — ela exclamou, um sorriso travesso no rosto, enquanto se jogava no sofá ao meu lado.
— O que foi agora? — perguntei, sem muito ânimo. Eu sabia que, quando Teri estava nesse estado, algo grande vinha pela frente.
Ela me olhou de lado, tentando aumentar a expectativa.
— Adivinha quanto o Lorenzo faturou com o teu cliente, o tal do Nicolas?
— Não sei... uns 50 mil, já que o combinado é meio a meio — respondi, achando que era óbvio.
— Errado! — Teri disse, os olhos brilhando com empolgação. — Ele pagou 250 mil pelo leilão e pelos dois meses contigo!
Minhas mãos tremiam levemente quando a realidade das palavras de Teri finalmente caiu sobre mim. Duzentos e cinquenta mil? O número ecoava na minha cabeça como um trovão distante. Sem perceber, o controle remoto da TV, que eu segurava distraidamente, escorregou dos meus dedos e caiu no chão com um baque surdo.
— Aquele filho da puta! — murmurei entre dentes, a raiva crescendo dentro de mim. — Ele tá me passando a perna!
Sem perder tempo, desci as escadas com passos firmes, a raiva crescendo a cada degrau. Eu sabia que algo não estava certo. Lorenzo não podia me explorar desse jeito. Meu coração batia forte, o peito apertado pela injustiça que eu sentia fervilhar em mim. Eu nunca gostei de confrontos, mas não ia permitir que ele me enganasse dessa forma.
Ao chegar no salão principal, fui direto até ele. Lorenzo estava conversando com alguns dos seguranças, mas assim que me viu, soube que o assunto seria sério.
— Precisamos conversar — falei, tentando manter a calma, mas minha voz já tremia de raiva.
— Claro, Nyx. O que foi? — ele perguntou, despreocupado, quase debochado, como se já soubesse o motivo da minha fúria.

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