A tela do celular me encarava de volta, os números brilhando como uma pequena vitória inesperada. R$ 25.000. Eu pisquei algumas vezes, tentando processar aquilo. Era muita grana junta, muita! Senti um frio no estômago, um misto de euforia e medo. Com aquela quantia, eu podia finalmente respirar, ao menos por um tempo. O dinheiro parecia uma solução imediata, mas, ao mesmo tempo, um lembrete das escolhas que eu fizera para tê-lo.
— Olha isso, Teri — falei, mostrando o celular para ela. A sensação era tão surreal que eu precisava de uma segunda opinião, quase para garantir que aquilo não era um erro.
Teri, largada no sofá como se o mundo estivesse em câmera lenta para ela, olhou de relance, os olhos semicerrados pela preguiça.
— Nada mal, hein? — ela disse com um sorriso preguiçoso. — Agora entendo por que o Lorenzo parecia ter ganhado na loteria ontem. Aposto que ele ficou com a metade.
Eu me sentei ao lado dela, ainda com a sensação de que aquilo era irreal. Vinte e cinco mil. Era muito dinheiro! Para Teri, talvez nem tanto. Ela estava acostumada a ganhar praticamente isso em um mês bom, entre os programas e as gorjetas. Mas ver aquele valor depositado de uma vez... era novidade. Era intimidador.
— E o melhor de tudo é que isso é só do leilão — eu disse, com um riso nervoso. — Ainda tem as noites que vêm pela frente.
— E tudo o que você fez foi dançar — Teri brincou, o tom leve contrastando com a seriedade que eu sentia por dentro. Ela se espreguiçou no sofá, jogando o cabelo para trás. — Podia ter sido pior.
Eu ri, mas o som saiu mais fraco do que eu esperava. Sabíamos que poderia ter sido muito pior, mas mesmo assim, a realidade do que viria pesava sobre meus ombros.
— Vou ao hospital — falei, me levantando, sentindo a necessidade de me mexer, de sair daquele apartamento e espairecer.
— Hospital? Hoje? É domingo! — Teri arqueou as sobrancelhas, visivelmente surpresa.
Eu respirei fundo, tentando manter o tom casual.
— Preciso pagar tudo o que está em atraso... — murmurei, pegando minha bolsa e olhando ao redor como se algo estivesse fora do lugar. — E também preciso repor minha medicação.
Teri me olhou por alguns segundos, tentando avaliar minha expressão. Ela sabia que, ainda hoje, eu não conseguia sobreviver sem medicamentos pesados, especialmente para dormir.
— Quer que eu vá com você?
Eu balancei a cabeça, oferecendo um sorriso pequeno.
— Não, obrigada. Eu resolvo isso rápido.
Alice olhou na direção de Nicolas e da garotinha, que continuavam andando, alheios à minha presença.
— Sim, ele vem toda semana com a filha. — Ela falou como se fosse a coisa mais comum do mundo. — Eles visitam o Centro de Saúde Mental que fica anexo ao hospital.
Filha? Meus olhos se arregalaram ainda mais. Ele tinha uma filha? Meu coração deu um salto no peito, uma mistura de surpresa e desconforto. Quem eles vinham visitar? Eu sabia que não podia perguntar isso a Alice, mas minha curiosidade estava crescendo a cada segundo. Não era o tipo de informação que eu esperava descobrir sobre Nicolas. Eu o conhecia como o homem reservado, misterioso, que me comprara em um leilão na boate. A realidade de sua vida pessoal, no entanto, parecia muito mais complexa do que eu imaginava.
— Você veio para a consulta com a doutora Joana? — Alice perguntou, interrompendo meus pensamentos.
— Sim — respondi, tentando disfarçar o choque. O que mais ele escondia?
— Vamos, vou te levar até lá — ela disse, começando a caminhar pelos corredores do hospital.
Caminhamos em silêncio por alguns minutos, o som dos nossos passos ecoando no piso frio. A mente ainda fervilhava. Nicolas tinha uma filha? E quem eles vinham visitar naquele hospital? Eu sabia que não podia perguntar mais nada a Alice sem parecer intrometida, mas a curiosidade estava me corroendo por dentro.

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