~AYLA~
O teatro estava cheio de vida naquela manhã. Bailarinas se alongavam pelo salão, seus corpos se movendo com precisão milimétrica, enquanto conversas ansiosas e sussurros nervosos preenchiam o ar. Camila andava ao meu lado, segurando sua mochila com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos. Seus olhos brilhavam com uma mistura de nervosismo e esperança.
— Obrigada por vir comigo hoje, professora — ela disse, sua voz doce e trêmula. — Meus pais me apoiam muito, claro, financeiramente falando. Mas eles não entendem… eles não entendem o que isso significa pra mim. Não entendem o peso emocional de estar aqui. Você entende.
Eu sorri de forma suave, tentando confortá-la.
— Entendo, sim. E você vai se sair bem, Camila. Eu tenho certeza disso.
— Eu assisti Coppélia pela primeira vez quando tinha 14 anos, em uma viagem que ganhei de aniversário para Nova York, na época você ainda me treinava, lembra?
— É claro que lembro, você só falava disso!
— Sim, se tornou meu ballet favorito! Desde então eu sonho em interpretar Swanilda, mas... Você acha muito pretensioso eu tentar esse papel? — ela perguntou, mordendo o lábio inferior. — Talvez ser uma das amigas já fosse bom o suficiente.
— De jeito nenhum. Esse papel exige técnica, carisma e presença de palco. E você tem tudo isso — respondi com firmeza. — Não deixe ninguém te fazer duvidar disso.
Ela assentiu, mas logo sua expressão se fechou.
— Seria mais fácil se você ainda me treinasse… — murmurou. — A Helena… ela não entende o meu jeito. Ela não me vê, sabe? Como você fazia.
O nome de Helena trouxe um gosto amargo à minha boca. A simples lembrança dela era suficiente para fazer meu estômago se revirar. Antes que eu pudesse responder, fomos interrompidas por um produtor com uma prancheta na mão.
— Certo, pessoal! Hoje é a pré-seleção para Coppélia! Queremos ver como vocês se saem com o grupo. Mostrem o melhor de vocês, porque não há segundas chances!
Camila olhou para mim, e eu toquei seu ombro levemente.
— Vá. Eu estarei aqui.
Ela assentiu e se juntou ao grupo. Eu a observei caminhar até o centro do salão, mas meu olhar foi capturado por algo — ou melhor, por alguém.
Do outro lado da sala, Helena estava ali. Seu cabelo preso em um coque impecável, vestindo um collant preto que destacava cada linha de seu corpo. A cor da faixa de tecido em seu braço indicava o papel para qual ela estava fazendo audições: Swanilda.
Ela conversava com um dos produtores, mas nossos olhos se encontraram por um breve segundo. E aquele segundo foi o suficiente.
— Camila, me espere aqui um minuto — disse rapidamente, antes de sair em direção a Helena.
Atravessar o salão foi como marchar para uma batalha. Meus saltos batiam contra o piso de madeira com determinação, e minha visão estava fixa apenas nela. Quando cheguei perto, agarrei seu braço e a puxei para trás de uma arara de figurinos, longe dos olhos curiosos.
— O que você pensa que está fazendo aqui, Helena? — minha voz saiu afiada, quase um sussurro entre os dentes.
Ela olhou para mim com desdém, um sorrisinho arrogante se formando em seus lábios.
— Ayla… que surpresa. Eu não esperava te ver aqui. — Sua voz transbordava sarcasmo.
— Como você ousa competir pelo papel de Swanilda contra uma aluna sua? Isso é antiético! — minha voz subiu um tom, mas eu rapidamente me controlei. — Camila confiou em você. Pediu ajuda, e você… você está sabotando ela!
Helena inclinou a cabeça levemente, como um predador analisando sua presa.
— E você? — ela rebateu, seu sorriso se tornando mais cruel. — Soube que voltou a ter contato com Camila. Está a treinando para quê? Tirar a roupa?



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