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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 35

~AYLA~

— Sorria. — Minha voz soou firme enquanto eu caminhava ao redor de Camila, observando cada detalhe de sua postura. — Sorria, não me deixe perceber seu esforço.

Camila mordeu o lábio inferior, tentando manter a compostura enquanto executava a sequência de fouettés en tournant. Seus giros tinham força, mas careciam de leveza. Seus braços tremiam um pouco, e eu podia ver a tensão em seus ombros. Então, como eu já esperava, ela bateu o tornozelo em uma mesinha esquecida no canto da sala.

— Ai! — exclamou, perdendo o equilíbrio e interrompendo o movimento.

Eu fechei os olhos por um segundo, frustrada. Não com ela, mas comigo. Suspirei pesadamente e me joguei no sofá desgastado que havíamos arrastado para o canto da sala. O ambiente parecia ainda menor com os móveis empilhados e a luz fraca do final de tarde entrando pela janela. Infelizmente, era tudo o que eu podia oferecer a Camila. Eu nem tive coragem de aceitar o dinheiro que ela me oferecia pelas aulas particulares, por mais que ela tivesse insistido.

— Me desculpa, professora. Eu queria ser melhor — disse Camila, se aproximando, o olhar baixo, parecendo mais derrotada do que eu me sentia.

Minha frustração desapareceu na hora, substituída por culpa. Levantei a mão, pedindo que ela parasse.

— Ei, não. Eu que peço desculpas. Você é muito boa, Camila. Melhor do que eu jamais poderia pedir. — Sorri, tentando aliviar a tensão. — Estou frustrada porque... Olha pra esse lugar. Nós não temos espaço, não temos equipamento, não temos nada. Como posso te ajudar aqui?

Camila sentou-se no chão, perto do sofá, apoiando os braços nos joelhos dobrados. Ela me olhou com aquele olhar cheio de esperança e determinação que só alguém apaixonado pelo que faz poderia ter.

— Professora, nesses dois dias você já me ajudou muito mais do que Helena fez nos últimos anos.

Bufei ao ouvir aquele nome. Era quase impossível ouvir “Helena” sem sentir um gosto amargo na boca.

— Não fala dela agora — pedi, virando o rosto para o outro lado.

Camila hesitou, mas sua voz soou baixa, quase tímida, enquanto ela continuava:

— As alunas mais velhas... Nós nos lembramos, sabe? Nós sabemos que Helena está com... com ele.

Aquelas palavras foram como um soco no estômago. Eu fechei os olhos, tentando ignorar a imagem que veio à minha mente.

— Camila...

— Não, deixa eu falar. — Ela engoliu em seco. — Não é certo, professora. Nada disso é certo. E ela não fala muito sobre você, mas deixa as coisas no ar. Como se... Como se você fosse a vilã dessa história.

Meu coração apertou no peito. Eu devia ter imaginado que Helena faria algo assim. Ela sempre soube manipular as pessoas com sutileza, com meias-verdades, com sorrisos falsos.

— O que mais ela diz? — perguntei, minha voz quase um sussurro. Uma luta entre o querer saber e o precisar ignorar se formando dentro de mim.

— Nada direto — Camila respondeu, abaixando a cabeça. — Mas ela insinua. E, sabe, muitos acreditam. Mas eu não. Eu nunca acreditei. Eu só nunca entendi... Por que você nos deixou?

Fiquei em silêncio por alguns segundos, encarando o teto. A verdade é que eu nunca quis ir embora. Nunca quis abandonar minhas alunas.

— Eu nunca quis deixar vocês, Camila. Nunca. Mas depois do que aconteceu comigo... Depois do acidente... Os pais não me queriam mais por perto. Eles queriam alguém... responsável.

Camila, indignada, jogou as mãos para cima.

— Isso é uma puta mentira!

Capítulo 35 1

Capítulo 35 2

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