~NICOLAS~
— Uma professora de balé? — perguntei, franzindo a testa enquanto observava Amélie rodopiar pela sala, suas pequenas mãos erguidas com uma graça quase natural. — De onde veio essa ideia?
Sofia riu baixo, encostada no batente da porta, com os braços cruzados sobre o peito.
— Desde que ela e Mia assistiram a uma apresentação no último final de semana, as duas não falam de outra coisa. Acredite, Nico, elas estão obcecadas. Já até improvisaram uns tutus com lençóis.
Amélie gargalhou ao ouvir isso, tropeçando nos próprios pés e caindo sentada no chão de madeira polida. Seu riso era contagiante, mas havia algo nele que sempre me atravessava. Era como se cada risada dela carregasse algo que eu precisava proteger a qualquer custo.
— Isso não parece coisa para resolver agora, Sofia. — Suspirei, massageando as têmporas. — Tenho muita coisa acontecendo no trabalho, não posso parar para procurar professora de balé. Mas... você pode contratar a melhor professora que conseguir. Traga alguém muito bom para elas.
— Já cuidei disso. — Sofia sorriu, triunfante. — Entrei em contato com Anna Neri, uma estrela brasileira em ascensão, e ela recomendou uma professora do estúdio Étoile Brillante.
Tentei puxar o nome do estúdio pela memória, mas eu não era o maior conhecedor de balé. De Anna Neri eu já tinha ouvido falar, é claro, e se era uma recomendação pessoal dela, certamente era um lugar de qualidade excepcional.
— E... você falou com ela? — perguntei.
— Não exatamente. Fui até lá, mas descobri que ela não trabalha mais no estúdio há anos. Parece que se aposentou... ou algo assim. — Sofia franziu a testa, olhando para Amélie enquanto ela voltava a girar pela sala. — É uma pena, parecia ser exatamente o que as meninas precisam.
— Procure pela professora atual de lá então. Garanta aulas particulares, contrate-a para vir até aqui em casa, se necessário. Não meça esforços, Sofia. Eu quero que elas tenham o melhor.
— Já imaginava que diria isso. — Sofia sorriu de lado. — Mas tem mais uma coisa... no sábado é você quem vai acompanhar as meninas ao balé.
— Sábado? — perguntei, mais alto do que pretendia. O dia ecoou na minha mente como um alarme. Sábado era o dia. Era Nyx. Era o dia em que eu me permitia esquecer de tudo. Por um instante, pensei em protestar, mas então me lembrei de que havia prometido a mim mesmo nunca mais voltar.
— Nem adianta inventar uma desculpa — Sofia avisou, os olhos fixos em mim, como se pudesse ver através das minhas barreiras. — Já combinei tudo com elas, e você prometeu passar mais tempo com Amélie. Não pode decepcioná-la. Além disso, Deus sabe o quanto Fabrício e eu precisamos de um tempo só para nós. Acho que da última vez, foi quando geramos o Júnior.
— E lá se foram quatro anos... — brinquei.
— Exatamente. E é por isso que esse sábado Júnior vai dormir na casa de um coleguinha e Mia vai com você e Amélie no balé. E uma das babás, claro.
Respirei fundo, ajustando o nó da gravata.
— Tudo bem. Eu vou.
Sofia sorriu satisfeita e voltou sua atenção para as meninas, que não paravam de dançar por um segundo.
Massageei as têmporas novamente. A última coisa que eu precisava era de uma disputa pública com um grupo de inquilinos insatisfeitos. A imprensa adoraria isso.
— Eles podem ter o melhor advogado do mundo que de nada adianta se não tem nenhum direito ao prédio. Resolva, Ricardo. Não quero mais ouvir falar nisso. Pague, despeje, compre... faça o que tiver que fazer, mas não traga isso até mim de novo.
— Entendido. — A voz dele estava firme, mas percebi a hesitação. — Agora... Você quer me dizer por que anda tão irritadinho? — Seu tom se tornou mais leve e descontraído.
Eu apertei a ponte do nariz, fechando os olhos por um instante. Ricardo não fazia ideia do nó que estava se formando dentro de mim. Minha irritação não tinha nada a ver com negócios, com prédios ou com locatários inconvenientes. Era Nyx. Era aquela última conversa. Aquela última troca de olhares. Eu tinha prometido nunca mais voltaria àquela boate, que nunca mais a veria, e então, como se o universo tivesse ouvido minha decisão, Sofia apareceu com aquele maldito compromisso no sábado.
Talvez fosse mesmo melhor assim. Talvez o universo estivesse conspirando para me afastar dela antes que as coisas saíssem do controle. Antes que eu perdesse completamente a cabeça. Mas... será que eu ainda conseguia fugir?
— Não. — Respondi de forma seca, sem me dar ao trabalho de justificar.
— Certo... — Ricardo murmurou, percebendo que havia pisado em um terreno delicado. — Vou cuidar de tudo.
Eu estava perdendo o controle. E isso nunca acabava bem.

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