~NICOLAS~
Eu estava sentado no sofá do quarto, a bebida em uma mão e a mente em outro lugar. O ambiente estava silencioso, exceto pelo som distante da música vindo da boate lá embaixo. Meus pensamentos estavam longe dali, mais precisamente nela. Quando a porta se abriu e ela entrou no quarto, meu coração disparou.
A luz suave do quarto iluminava Nyx, fazendo-a parecer ainda mais irresistível com a fantasia do dia em que nos conhecemos — era como se ela tivesse aparecido para me desafiar, para me fazer querer mais. E eu queria. O modo como ela se movia, como me olhava, tudo em mim respondia a ela, mas, ainda assim, não sabia o que mais queria. Eu não sabia o que ela queria de mim.
Quando ela entrou, hesitou por um momento, provavelmente percebendo minha ausência na boate durante a sua apresentação. Eu sabia que ela não esperava me encontrar ali. Mas eu não conseguia me afastar, mesmo sabendo que era melhor não voltar. Naquela noite, mais uma vez, eu não consegui ficar longe.
Olhei para ela e não pude evitar sorrir. Perguntei, quase em tom de provocação:
— Está vestida assim porque achou que eu não viria?
Ela hesitou por um momento, antes de me olhar nos olhos e responder:
— Não. Eu estou vestida assim porque tinha certeza de que você viria.
Havia algo no tom dela que me deixou sem palavras por um momento. Eu sabia que ela estava dizendo exatamente o que eu queria ouvir, e, mesmo assim, não pude deixar de sorrir.
— Está tão claro assim que estou obcecado por você? — perguntei, rindo, mas a verdade é que, por mais que me irritasse, eu gostava de ser visto dessa maneira por ela. Porque, de alguma forma, parecia verdade.
Ela apenas sorriu, e não respondeu. Isso me fez pensar ainda mais no que ela realmente pensava de mim, o que ela achava de toda essa história. Ela colocou a música, e, como sempre, seus movimentos pareciam a fazer flutuar no ar. A fantasia de penas, agora mais provocante do que nunca, a fazia parecer ainda mais deslumbrante. Ela não estava apenas dançando, estava me dominando com a fluidez de seus gestos, com a maneira como seu corpo se movia em sincronia com a música. Era como se, com cada movimento, ela se tornasse mais inatingível, mais longe de mim.
Mas, ao contrário do que meus instintos gritavam, eu não consegui deixar de mudar a música. O ritmo mais rápido cedeu lugar a algo mais lento, mais íntimo. Caminhei até ela e a segurei pela cintura, sentindo sua respiração mais próxima da minha.
— Eu não vou te soltar — disse, minha voz rouca, enquanto meu olhar buscava o dela.
Ela me encarou por um instante, e seus olhos mostraram que ela sabia exatamente o que eu quis dizer ao usar as mesmas palavras daquele dia. Ela entendeu, como se pudesse ver além das palavras, como se fosse capaz de entender o que se passava no fundo da minha alma. Eu não sabia o que mais dizer, mas o silêncio se fez entre nós enquanto dançávamos, cada passo mais próximo, como se nossos corpos estivessem conversando em um idioma próprio.
— O que aconteceu naquele dia? — Perguntei, com a voz suave, mas com um toque de curiosidade genuína.
Ela hesitou antes de responder. Não estava preparada para aquela pergunta.
— Eu estava quebrada. Eu estou quebrada. Perdi tudo. Por isso fiz aquilo — sua voz ficou mais baixa. — Ou... tentei fazer.
— Não tem nada que você tenha perdido que não possa recuperar.
Ela não parecia convencida. O olhar dela se tornou mais distante, e ela murmurou:
— Não estou falando de bens materiais. Quando aqueles que amamos se vão para sempre, não tem como recuperar.
Eu a puxei para mais perto de mim, sem saber o que mais dizer. Apenas queria que ela soubesse que, mesmo com o peso daquilo tudo, ela ainda era forte. Porque, para mim, ela sempre seria uma mulher forte.



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