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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 38

~AYLA~

O shopping estava movimentado, cheio de famílias passeando, adolescentes tagarelando e casais discutindo qual filme assistir. Mas, entre as vitrines reluzentes e os corredores iluminados, eu e Teri caminhávamos com passos decididos, como se carregássemos um propósito maior que apenas comprar roupas.

— Então, o que você acha dessa? — Teri perguntou, segurando um vestido azul-marinho clássico.

Eu fiz uma careta, cruzando os braços.

— Teri, a reunião é sobre salvar o prédio, não sobre seduzir o CEO da empresa.

— É uma empresa de milionários, amiga. Você nunca sabe quando um decote pode ajudar.

Eu gargalhei, atraindo olhares de algumas pessoas ao redor. Teri sorriu também, como se satisfeita por ter arrancado aquela risada de mim. Era engraçado como, com Teri, eu conseguia esquecer de tudo. Dos problemas, das memórias confusas e das vozes na minha cabeça.

Depois de mais algumas lojas, paramos em frente a uma boutique de lingerie. Uma vitrine repleta de peças rendadas e sedutoras se estendia à nossa frente.

— Tá bom, amiga, agora é a sua vez de ser minha consultora — disse, entrando na loja.

— E desde quando você se importa com isso? — Ela arqueou uma sobrancelha.

Ela tinha razão. Para o trabalho mesmo, era Lorenzo quem providenciava nossas fantasias e nos fornecia opções de lingerie. Eu só deixava que ele escolhesse tudo ou ia na onda das outras garotas.

— Desde que decidi que... — hesitei, escolhendo as palavras certas. — Desde que decidi que talvez queira me sentir diferente com alguém.

Ela entendeu imediatamente. Seus olhos suavizaram, e um sorriso apareceu.

— Tá bom, amiga. Vamos arrasar.

Passamos quase uma hora na loja. Teri fazia comentários sarcásticos enquanto eu segurava peças que definitivamente não eram apropriadas para o nosso propósito inicial. No fim, escolhi algo simples, mas sofisticado. Algo que me fazia sentir bonita, sem parecer que estava me esforçando demais.

— Perfeito, amiga. Você vai deixar ele louco — Teri disse, sorrindo.

— Nem vem, não é sobre isso.

— Claro que não — ela respondeu com ironia, e nós duas caímos na gargalhada.

Entramos em uma cafeteria do shopping, atraídas pelo aroma delicioso de café fresco e croissants amanteigados que escapava pela porta sempre que alguém entrava ou saía. Era um lugar pequeno e aconchegante, com luzes amareladas que criavam uma atmosfera acolhedora. Escolhemos uma mesa no canto, longe do movimento do balcão e das conversas mais altas.

— Você tá estranhamente animada hoje — Teri comentou, soprando a xícara de café.

— Talvez porque, pela primeira vez em muito tempo, eu tenha algo pelo que esperar — admiti.

Ela sorriu, mas o olhar dela desviou para o café, pensativa.

— Isso é bom — ela disse baixinho. — Só... toma cuidado, tá?

A preocupação na voz dela me pegou desprevenida. Teri raramente demonstrava esse tipo de vulnerabilidade. Eu franzi o cenho, deixando minha xícara de lado.

— Teri... tem algo que você quer me dizer?

Ela respirou fundo, como se buscasse coragem para mergulhar em águas profundas.

Ela engoliu em seco, e o silêncio entre nós ficou pesado. Eu podia sentir o peso das lembranças que ela carregava. Meu coração apertou no peito.

— O que aconteceu?

— Ele me deixou, Ayla. Sem nada. Me usou, me quebrou e foi embora. Eu precisei colocar o rabo entre as pernas e implorar meu lugar de volta para Lorenzo. Mas eu nunca mais fui a mesma.

Por um momento, nenhuma de nós falou. O silêncio entre nós parecia pesado, como se cada palavra tivesse deixado um rastro invisível.

— Eu nunca contei isso pra ninguém — ela continuou. — Porque, no fundo, eu ainda me sinto culpada. Por ter acreditado nele. Por ter achado que alguém como ele realmente iria me salvar.

— Não foi sua culpa, Teri — eu disse, firme.

Ela sorriu de lado, mas era um sorriso triste.

— Eu só... não quero que você passe pelo que eu passei. Homens como ele, Ayla... eles podem parecer perfeitos. Mas no fim, somos nós que ficamos com os pedaços.

Engoli em seco, sentindo o peso de suas palavras. Eu entendi perfeitamente sobre o que ela estava me alertando. Se Miguel me ensinou algo, foi a não confiar em homens. E, agora, Teri só reafirmava isso. Mas... Por que Nicolas continuava quebrando minhas barreiras? Tinha algo ali que eu não entendia. Como se eu precisasse se me lembra do motivo dessa conexão.

— Eu prometo que vou ter cuidado — disse baixinho.

Ela assentiu, e seu sorriso voltou, mais leve desta vez.

— Tá bom. Agora, chega de drama. Vamos comer esse bolo de chocolate gigante antes que eu comece a chorar na frente dos garçons.

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