— "Ayla, me desculpe. Eu achei que poderia seguir com isso, mas percebi que não estou pronto. Aproveite a noite, tudo está pago. Mas acredito que não posso mais ver você. Ou a Nyx."
Minha voz falhou ao final da mensagem. O silêncio que seguiu foi cortante, como se cada palavra ainda ecoasse no fundo da minha mente. O tom dele era frio, distante. Parecia um estranho falando comigo, não o homem que me fazia sentir viva, desejada… importante.
Meus olhos estavam marejados, mas eu me recusei a deixar as lágrimas caírem. Ter dignidade era o mínimo que eu podia fazer por mim mesma naquele momento.
— Ah, vai se ferrar, Sartori! — Teri exclamou, terminando de engolir um pedaço de algo que parecia absurdamente caro. — Ele é um babaca, Ayla. Um tremendo de um babaca!
Eu sorri fraco. Um sorriso sem cor, sem força. Assim que li aquela mensagem pela primeira vez, minha primeira reação foi ligar para Teri. Eu estava prestes a desabar, prestes a sair correndo daquele restaurante com os olhos cheios de lágrimas, mas ela me impediu.
"Fica aí, não sai. Eu tô indo."
E agora ela estava ali, sentada à minha frente, tentando juntar meus cacos.
— Ayla, olha pra mim — ela disse, com uma voz firme, mas doce. — Você é incrível, maravilhosa. Ele que perdeu. Não tem nada de errado com você. Nada. Se ele não consegue enxergar isso, problema dele.
Balancei a cabeça, tentando engolir o nó que se formava na minha garganta.
— Eu só… Eu só queria que, por uma vez, fosse diferente, sabe? — Minha voz saiu baixa, quase como um sussurro. — Por uma vez, eu queria que alguém me escolhesse. Não a Nyx. Tudo é sempre sobre a Nyx. Eu queria poder me sentir viva como Ayla novamente.
Teri pegou minha mão por cima da mesa e apertou.
— Você é mais forte do que pensa, Ayla. Mas quer saber? Agora a gente vai aproveitar essa noite. Ele disse que está tudo pago, não disse? Ótimo. Vamos dar um prejuízo tão grande que o ego dele vai sentir.
— Teri… eu não sei se quero…
— Ah, não, não! — ela me interrompeu, erguendo uma taça de vinho no ar. — Isso aqui, minha amiga, é reparação moral. Esse cara é bilionário, Ayla. Ele nem vai perceber essa conta no final do mês.
Não consegui evitar um sorriso. Era pequeno, mas era um sorriso. E então eu ergui minha taça e brindei com ela.
— Reparação moral.
E foi assim que começou.
Pedimos as comidas mais caras do cardápio. Lagosta, filé mignon, caviar — coisas que eu nem sabia como pronunciar direito. As bebidas então… garrafas de vinhos caríssimos que eram abertas uma após a outra. Não que estivéssemos com fome de verdade. Experimentávamos pequenas porções, ríamos e bebíamos. Bebíamos muito.
Cada gole de vinho parecia amortecer mais a dor, e cada risada com Teri parecia ser uma pequena vitória contra o vazio que estava crescendo dentro de mim.
— Você acha que eles vão perceber que a gente só está brincando com a comida? — perguntei, cutucando uma fatia de trufa com o garfo.
— Não se preocupe, amiga. Eles já devem ter visto coisa muito pior por aqui — respondeu Teri, com um sorriso travesso. — E depois, vamos pedir para levar — ela riu abertamente. — Vamos ter comida de gente rica pra uma semana!
Já era tarde quando terminamos nosso “banquete”. O restaurante estava mais vazio, e eu me sentia leve… ou talvez só muito bêbada.
— Sabe de uma coisa? — murmurei, olhando para minha taça vazia. — Eu acho que nunca tive um encontro tão caro na vida.
— Nós não somos o tipo de garotas baratas! — Teri gargalhou, jogando a cabeça para trás.
Depois de mais alguns minutos, Teri olhou para mim com aqueles olhos cheios de ideias que sempre me colocavam em encrenca.
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