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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 42

~ NICOLAS ~

O som dos pneus no asfalto molhado ecoava enquanto eu dirigia pelas ruas vazias. As luzes difusas dos postes passavam rápido, mas minha mente estava presa em outro lugar. Por mais que eu tentasse, não conseguia afastar o rosto de Ayla dos meus pensamentos.

Eu estava me apaixonando, e isso era um erro.

Não importava o quanto eu quisesse estar com ela, eu não tinha o direito. Não depois de tudo. Não com o passado que nos conectava, mesmo que ela não soubesse.

Fechei os olhos por um segundo, o peso da culpa se espalhando pelo meu peito. E então, como uma onda implacável, as lembranças voltaram — arrastando-me para um passado que eu passara anos tentando enterrar. Um passado que ainda me perturbava.

~FLASHBACK – 3 ANOS ANTES ~

O barulho do impacto ainda reverberava nos meus ouvidos. O som ensurdecedor de metal rasgando metal foi seguido por um silêncio opressor, pesado, como se o mundo inteiro tivesse parado. Meus dedos tremiam, agarrados ao painel do carro, enquanto tentava processar o que havia acabado de acontecer. O cheiro acre de borracha queimada e gasolina invadia minhas narinas, tornando o ar quase impossível de respirar.

— Enrico... — minha voz saiu fraca, mal reconhecível. Olhei para o lado, onde meu irmão estava com as mãos crispadas no volante, os olhos arregalados fixos no para-brisa estilhaçado. Seu peito subia e descia rapidamente, mas ele não dizia nada. Não piscava. Só respirava com dificuldade.

— Merda... — ele murmurou, soltando um suspiro trêmulo. — Merda, merda, merda!

Minha mente ainda estava presa no momento do impacto. O farol tinha ficado vermelho, e o carro à nossa frente avançou sem parar. Eu vi, mas Enrico não conseguiu reagir a tempo. Seus reflexos estavam lentos, entorpecidos pelo álcool que ele vinha consumindo desde que saiu do escritório. Desde que descobriu que tinha sido enganado, traído por alguém em quem confiava dentro da Sartori. Desde que tudo desmoronou.

Eu sabia que ele não deveria dirigir. Eu deveria ter insistido. Mas em meio ao seu desespero, sua raiva, sua dor, não consegui detê-lo. E agora estávamos ali, no meio do caos.

Meu peito apertou quando vi o outro carro, um SUV escuro, completamente destruído no cruzamento à nossa frente. O veículo havia capotado com a força do impacto, o teto amassado, a traseira esmagada contra um poste. O mundo parecia girar ao meu redor.

E então eu vi.

No banco do motorista, uma mulher. Seu rosto coberto de sangue, inerte. Mas por uma fração de segundo, nossos olhares se cruzaram. Seus olhos estavam abertos, mesmo que quase fechando. Era como se ela estivesse me vendo. Como se soubesse. Depois, tudo ficou quieto novamente, exceto pelo ruído distante de sirenes que se aproximavam.

— Ela está viva... — murmurei, sentindo uma onda fria percorrer minha espinha.

Enrico respirava rápido, o pânico transparecendo em cada fibra do seu corpo. Ele olhou para mim, os olhos arregalados como se estivesse vendo um fantasma.

— Eu... eu não vi. Nicolas, eu não vi... — Ele balançava a cabeça, desesperado. — O que eu faço? O que a gente faz?

Me virei para ele, minha mente girando. Foi então que vi algo no banco de trás do SUV. Duas pequenas figuras, imóveis.

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