Aquela manhã no escritório tinha sido insuportável. Os números dançavam na tela do computador, os relatórios pareciam um emaranhado de letras sem sentido, e minha mente, minha m*****a mente, estava presa em Ayla.
Eu conseguia ver seu rosto toda vez que fechava os olhos. Seu olhar carregado sempre um pouco perdido, sua voz trêmula quando dizia meu nome. O nome que, na verdade, não significava nada para ela. Que ela sequer imaginava como se entrelaçava com o seu passado.
Mas para mim… para mim era um peso insuportável.
Porque eu sabia. Sabia exatamente quem ela era, agora. O nome dela tinha estampado jornais, sites de notícia, programas sensacionalistas. "Mãe perde filhos em trágico acidente de carro." Eu me lembrava do rosto dela nas fotos, dos olhos perdidos e vazios, das lágrimas silenciosas.
E eu estava lá. Eu estava no outro carro naquela noite.
De certa forma, eu era responsável pelas ações do meu irmão.
Como eu podia me aproximar dela? Como eu podia tocar nela, beijá-la, envolvê-la nos braços e fingir que não carregava aquele fardo?
Se ela descobrisse… Deus, se ela descobrisse, Ayla não iria apenas me odiar. Ela ia quebrar. De novo.
E eu não podia permitir isso.
Empurrei a cadeira para trás e desliguei o computador. A última coisa que eu precisava era ficar ali, com pensamentos que me consumiam.
Dirigi até em casa com o som do motor preenchendo o silêncio sufocante dentro do carro. Quando cheguei, a casa estava calma, exceto por uma música suave que vinha de um dos cômodos do andar inferior.
Eu conhecia aquela música.
Segui o som até uma sala que, há algumas semanas, era apenas um espaço extra com uma TV e alguns brinquedos. Agora, era um estúdio de balé improvisado. Um espelho enorme cobria uma das paredes, barras de apoio estavam instaladas estrategicamente, e no centro do ambiente estavam Amélie e Mia, girando em suas sapatilhas com a graça que só crianças daquela idade conseguem ter.
Elas estavam tão concentradas que não perceberam minha presença. Amélie sorriu ao errar um passo, mas não parou. Mia soltou uma risada baixinha, e as duas voltaram à posição inicial.
Por um instante, algo dentro de mim se aquietou.
Minha filha era a razão pela qual eu continuava respirando todos os dias. Ela era minha âncora, minha luz.
Encostei-me no batente da porta, cruzando os braços enquanto observava. A professora delas, uma mulher alta e loira, estava posicionada ao lado do espelho, com os braços cruzados e uma expressão séria, mas paciente.
— Postura, meninas. Amélie, levante o queixo. Mia, os pés mais firmes. Isso, muito bem.
Ela olhou pelo espelho e finalmente me viu ali.
— Meninas, façam uma pausa para beber água — ela disse, antes de caminhar na minha direção.
Sua postura era elegante, segura. Seus olhos me analisaram de cima a baixo enquanto ela sorria de forma controlada.

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