Eu corria, tentando ignorar os gritos de Nicolas atrás de mim. As palavras de Helena ecoavam na minha mente, me esmagando, me arrastando de volta ao abismo do qual eu lutava tanto para sair.
"Assassina de crianças."
As lágrimas que eu segurava começaram a cair sem controle.
— Ayla! — A voz dele veio mais alta, mais próxima, mas eu continuei correndo.
Meu corpo estava no limite, os pés vacilando sobre a grama úmida do jardim. Quando virei mais uma curva no caminho, percebi que não tinha ideia de onde estava. A mansão de Nicolas era gigantesca, e o jardim parecia se estender por um labirinto interminável.
Por fim, cedi ao cansaço e me joguei em um banco de pedra. Meu peito subia e descia rapidamente enquanto eu tentava recuperar o fôlego.
— Isso aqui é um labirinto! — gritei, frustrada, passando as mãos pelo rosto para secar as lágrimas.
Nicolas apareceu logo depois, também sem fôlego. Ele parou a poucos passos de mim, as mãos nos joelhos enquanto recuperava o ar.
— Só assim para te fazer parar de fugir de mim — ele disse, com a voz rouca.
Eu o encarei, furiosa, mas exausta demais para levantar.
— Por que você está me seguindo? — perguntei, sem conseguir esconder o tremor na minha voz.
— Porque precisamos conversar — ele respondeu, aproximando-se devagar, como se tivesse medo de me assustar.
Revirei os olhos, afastando o olhar dele.
— Não temos nada para conversar. Você ouviu o que ela disse. Você deveria me deixar sozinha.
— Não. — A firmeza na voz dele me fez olhar de volta. — Não vou te deixar sozinha.
— Por quê? — minha voz saiu alta, quase gritando. — Por que você sente pena de mim? Por que sempre acha que pode me salvar de alguma coisa?
Ele balançou a cabeça, dando um passo à frente.
— Não é isso, Ayla. É porque eu preciso te dizer algo.
Suspirei, frustrada, e afundei no banco, escondendo o rosto entre as mãos.
— O quê? O que você pode dizer que vai mudar qualquer coisa? — Minha voz estava carregada de cansaço, de desespero.
— Eu sei do que ela está falando. Sei do acidente que matou seus filhos, Ayla.
Meu estômago revirou.
— Ah, ótimo! Você pesquisou minha vida. É claro que você faria isso.
Ele hesitou por um momento antes de se sentar ao meu lado. A proximidade me incomodava, mas eu não tinha energia para me afastar.
— Não é justo você carregar toda essa culpa — ele começou, a voz mais baixa agora.
Revirei os olhos e soltei uma risada amarga.
— Não é justo? Você não acha que ouvi isso o tempo todo? "Não foi culpa sua, Ayla." Mas, de alguma forma, sempre pareceu ser.
— Não foi culpa sua — ele repetiu, como se insistir em dizer isso fosse mudar algo.
Eu o encarei, sentindo a raiva subir mais uma vez.
— Então de quem foi? Do destino? De Deus? — minha voz tremia. — Porque, no final, fui eu quem perdeu o controle do carro. Eu quem vi meus filhos morrerem. Eu quem sobreviveu.
Ele desviou o olhar, claramente lutando contra algo dentro de si.
— Eu estava no outro carro.
Minha mente parou. Tudo ao meu redor ficou em silêncio, como se o tempo tivesse congelado.
— Não... — sussurrei, incapaz de acreditar no que estava ouvindo.
— Eu estava no banco do passageiro naquela noite, Ayla. Meu irmão estava dirigindo.
Levantei-me de repente, tentando me afastar dele.
— Não! Isso é mentira!
— É verdade — ele continuou, levantando-se também. — Eu estava lá. E... e eu não fiz nada para impedir.


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