— Você só pode estar brincando — murmurei baixinho, dando uma volta no lugar e tentando acalmar os nervos que pareciam à beira de um colapso. A cena que acabara de acontecer era simplesmente surreal demais para eu processar.
— Ayla, essa é minha filha, Amélie. Amélie, essa é Ayla, uma amiga do papai — ouvi Nicolas dizer, como se estivesse tentando colocar alguma normalidade no caos que eu sabia que estava prestes a explodir.
Olhei para Amélie, que me analisava com uma expressão curiosa, como se tentasse entender o que exatamente uma “amiga” estava fazendo beijando seu pai daquele jeito. A garota, no entanto, acenou para mim de maneira fofa, quase inocente. Respondi com um sorriso meio nervoso, mas sincero. Não era culpa dela estar ali no meio de tudo isso.
— E essa — continuou Nicolas, como se nada tivesse acontecido — é a senhorita Lacerda, professora de balé da minha filha e da minha sobrinha.
Foi como um soco no estômago. Minha mente foi transportada instantaneamente para o que Camila havia comentado uma vez: que as meninas frequentavam aulas de balé na academia de Helena. O que Camila não tinha dito, no entanto, era que essa mesma Helena frequentava a casa de Nicolas. Muito menos que ela aparecia vestindo um collant absurdamente cavado, sem saia, algo que qualquer academia de dança decente desaprovaria. Parecia uma escolha feita com um único propósito: garantir que Nicolas tivesse uma visão perfeita do corpo dela.
Engoli em seco, tentando controlar o misto de raiva e constrangimento que tomava conta de mim. As palavras saíram antes que eu pudesse me impedir:
— Senhora.
— O quê? — Nicolas perguntou, confuso.
— Senhora Lacerda. Ela é casada... com meu ex-marido.
Houve um momento de silêncio pesado. Nicolas alternou o olhar entre mim e Helena, claramente tentando juntar as peças.
— Amélie, querida, por que você não chama sua prima e esperam na sala de balé? Papai já vai lá.
A menina olhou para ele com curiosidade, mas assentiu docilmente.
— Tá bom, papai.
Ela acenou novamente para mim antes de sair da área, completamente alheia ao que estava prestes a acontecer. Assim que a porta se fechou, Nicolas voltou seu olhar para mim, sua expressão carregada de tensão.
Houve um momento de silêncio pesado. Assim que a porta se fechou atrás de Amélie, Nicolas explodiu, a voz carregada de fúria:
— Casada?! — Ele praticamente gritou. Seus olhos estavam cravados em Helena, a expressão uma mistura de incredulidade e raiva. — Você é casada, Helena?!
— Não dê ouvidos a ela, Nicolas! — Helena interrompeu, sua voz carregada de desprezo. — Ela não gosta de mim e está tentando me queimar com você.
Virei-me para encará-la, confusa.
— Queimar você? Por que eu precisaria queimar você com ele? — Minha pergunta saiu quase automática. Mas, no momento em que as palavras escaparam, a resposta me atingiu como um raio. — Ah, meu Deus... Você está dormindo com ela!
De repente, tudo fazia sentido. A postura dela, a proximidade exagerada, as roupas inadequadas. Era óbvio. Uma onda de raiva explodiu dentro de mim, e antes que pudesse pensar, dei meia-volta e tentei sair dali o mais rápido possível.



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