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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 72

O silêncio entre mim e Nicolas nos acompanhou pelo caminho até a loja de artigos de balé. Desde que descemos do carro, ele respeitou meu espaço, não forçando conversa, mas lançando olhares ocasionais na minha direção, como se tentasse decifrar meus pensamentos.

A verdade era que eu ainda estava processando tudo que estávamos vivendo nos últimos dias, entre seus altos e baixos. Mas, ao mesmo tempo, não podia ignorar que, mais do que nunca, precisava de dinheiro. A situação de Paulo na recepção do prédio ainda ecoava na minha mente. Eu sabia que, se não aceitasse o trabalho de ensinar Amélie e Mia, logo poderia estar tão desesperada quanto ele. Era isso ou voltar para uma vida mais sombria, ainda mais agora, que eu não tinha mais a boate e as garotas que trabalhavam lá comigo estavam recorrendo as ruas.

Eu não queria depender de Nicolas. Mas, pela primeira vez em muito tempo, uma oportunidade genuína se apresentava diante de mim. Eu poderia trabalhar com algo que realmente gostava e, ao mesmo tempo, garantir um mínimo de estabilidade. Sim, seria difícil voltar a trabalhar com criança, mas... O que não tinha sido difícil na minha vida?

Suspirei, desviando o olhar para as prateleiras repletas de sapatilhas de todos os tamanhos e cores. Pelo canto do olho, vi Nicolas pegando um modelo delicado, analisando-o como se estivesse prestes a assinar um contrato milionário. Um sorriso involuntário apareceu nos meus lábios. Era quase cômico vê-lo ali, tão fora do seu ambiente natural, mas ainda assim determinado a escolher algo perfeito para a filha.

— Você tem certeza de que esse é o lugar certo? — Ele perguntou, com a expressão séria.

— Absoluta. — Peguei uma sapatilha rosada, sentindo a textura do cetim entre os dedos. — Aqui sempre teve os melhores modelos para iniciantes. Como Amélie ainda está na fase de adaptação, algo assim seria perfeito.

Ele assentiu, ainda analisando os detalhes do tecido e da costura, como se entendesse daquilo.

Eu estava prestes a lhe mostrar um outro modelo quando uma voz cortou o ambiente como uma lâmina.

— Ora, ora, olha quem temos aqui. Procurando outra aluna para afundar a carreira?

Meu corpo se enrijeceu instantaneamente.

Helena.

Aquela voz carregada de sarcasmo era inconfundível.

Girei devagar nos calcanhares e lá estava ela, encostada no balcão com a postura impecável de sempre. O olhar presunçoso deslizou sobre mim antes de se fixar na sapatilha que eu segurava.

— O que foi? — Cruzei os braços, mantendo a voz controlada. — Surpresa em me ver aqui?

— Surpresa? — Ela riu baixinho, inclinando a cabeça de lado. — Na verdade, sim. Achei que depois do fiasco da audição, você tivesse aprendido sua lição.

Senti minha mandíbula travar.

— Se só quer destilar seu veneno, pode economizar o tempo.

— Só estou constatando os fatos. — Ela sorriu, cínica. — Sua queridinha foi um verdadeiro fracasso.

O sangue ferveu nas minhas veias.

— Camila não fracassou. Você roubou algo que era dela.

— Roubei? — Helena riu, ajeitando a sapatilha que segurava. — Ah, por favor. A melhor bailarina venceu.

— Você se aproveitou da sua posição para se colocar no papel. Se acha isso digno, parabéns.

Os olhos dela brilharam com algo mais afiado, mas ela manteve o tom suave.

— Eu trabalhei duro para chegar onde estou. Tenho uma carreira respeitável e um marido que me ama. E você, o que tem?

E lá estava. A alfinetada que eu sabia que viria.

Respirei fundo e sorri, mas havia veneno no meu tom quando respondi:

— Ah, você é tão segura da sua posição que não se importa que Miguel ainda me procure?

O corpo dela ficou tenso, o sorriso diminuiu levemente, mas logo se recuperou.

— Você está mentindo.

Capítulo 72 1

Capítulo 72 2

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