O apartamento estava uma bagunça de caixas abertas, roupas espalhadas e móveis desalinhados. Sentei-me no sofá com uma taça de vinho na mão, girando o líquido escuro no vidro enquanto tentava ignorar o nervosismo que latejava dentro de mim. O silêncio entre mim e Teri era preenchido apenas pelo som suave de uma música antiga que tocava da sua caixa de som portátil.
Ela estava sentada no chão, de pernas cruzadas, o celular nas mãos, rolando a tela de cima para baixo, perdida em pensamentos.
— Ele me mandou mensagem.
Levantei os olhos, observando-a hesitar antes de me estender o celular. Peguei o aparelho e encarei a tela. Era um número sem identificação, mas eu não precisava perguntar quem era.
"Voltei para a cidade. Quero te ver."
— Aquele cliente especial? — perguntei, mesmo já sabendo a resposta.
— O próprio.
Teri jogou o celular ao lado e pegou a taça de vinho, tomando um gole longo, como se tentasse engolir mais do que apenas a bebida.
Eu a observei atentamente por alguns segundos antes de perguntar:
— E você quer ir?
Ela girou a taça entre os dedos, os olhos presos no vinho, como se pudesse encontrar a resposta ali.
— Dinheiro nunca é ruim.
Levantei uma sobrancelha, desconfiada.
— Mas é só isso?
O canto dos lábios dela tremulou em um sorriso contido, mas a hesitação era óbvia.
— Você está ficando boa em me analisar. É que eu meio que já tinha marcado algo com o Ricardo esse final de semana.
— Você sempre fala de Ricardo com desdém, mas no fundo ele te pegou, né?
Ela bufou e jogou a cabeça para trás, mas o brilho nos olhos dela dizia mais do que suas palavras jamais admitiriam.
— Isso não tem nada a ver.
— Ah, claro que não. — Cruzei as pernas e tomei um gole do vinho. — Então é só coincidência você hesitar agora?
Teri me lançou um olhar afiado, mas no fundo estava se segurando para não rir.
— Cala a boca, Ayla.
— Você já dormiu com ele sem cobrar. Talvez só esteja esperando ele te pagar agora pra equilibrar as coisas.
Ela me acertou com uma almofada e nós duas caímos na risada. Mas quando o riso se dissipou, o silêncio entre nós ficou mais pesado.
— Tá. Talvez eu tenha me envolvido um pouco mais do que deveria.
Soltei um suspiro longo, encarando a bagunça do apartamento.
— Sei como é.
Teri afastou a almofada e me olhou de lado.
— Sei que você sabe.
Olhei para Teri, um sorriso brincando nos meus lábios, e perguntei, quase sem pensar:
— Você já imaginou um mundo paralelo onde nós duas saímos em um encontro duplo com os primos bilionários?
Ela arqueou uma sobrancelha, pegando a taça de vinho antes de responder:
— Você já imaginou um mundo paralelo onde a gente fisga esses bilionários e sai direto desse apartamento fedendo a mofo para uma mansão com piscina e funcionários servindo drinques?
Ficamos em silêncio por um segundo antes de explodirmos em uma gargalhada alta, dessas que fazem o estômago doer. Teri se jogou contra o encosto do sofá, e eu precisei me segurar na mesa de centro para não derramar o vinho.
— Deus nos livre! — eu disse entre risos.
— Amém! — ela completou, ainda rindo.
Mas, no fundo, nós duas sabíamos que algo dentro daquela brincadeira não parecia tão ruim assim.
— Eu não deveria estar nervosa pra amanhã.
— Mas está.


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