O ronco do motor era o único som dentro do carro enquanto a estrada se estendia à nossa frente. A cidade havia ficado para trás há algum tempo, e agora tudo que víamos eram campos, algumas casinhas isoladas e a longa faixa de asfalto cortando a paisagem.
Eu estava no banco do passageiro, observando a paisagem passar pela janela, perdida em pensamentos. Ainda não sabia direito como tinha me colocado naquela situação. A Sofia deu a sugestão do acampamento e na hora pareceu algo com o qual eu pudesse lidar, mas eu realmente não conseguia me imaginar fazendo xixi no mato ou mesmo dormindo dentro de uma barraca. Ainda assim, ali estava eu, indo para um acampamento com Nicolas.
Talvez parte disso fosse a necessidade de afastar aquela sensação ruim que ficou depois de ver a discussão de Paulo com o irmão na recepção do prédio. Talvez fosse o fato de que, por mais que minha razão dissesse para eu manter distância e focar apenas na missão que eu tinha, meu coração teimava em se envolver mais do que eu deveria.
Ou talvez fosse simplesmente porque eu gostava de estar com ele.
Soltei um suspiro, mexendo na barra da minha blusa, antes de encostar a cabeça no vidro da janela.
— Se quiser dormir um pouco, eu dirijo em silêncio — Nicolas disse, ainda focado na estrada.
— Não precisa. Estou bem — respondi, endireitando-me no banco.
A verdade era que eu gostava da estrada. Gostava da sensação de estar indo para algum lugar novo, da mudança de ares, da promessa de algo diferente. Mas, mais do que isso, gostava do fato de não estar dirigindo.
Ainda era difícil para mim.
Para quebrar aquele momento silencioso, liguei o rádio e comecei a procurar alguma estação decente. A primeira que apareceu estava tocando uma música pop chiclete, dessas que grudam na cabeça e tocam o tempo inteiro nas lojas e academias.
Aumentei o volume de propósito e comecei a cantar, só para ver a reação dele.
Nicolas fez uma careta.
— Sério?
— Isso se chama criar uma boa atmosfera para uma viagem — provoquei, dando um sorriso.
— Isso se chama tortura.
Ri e continuei cantando, me divertindo com o incômodo dele.
— Precisamos trabalhar no seu gosto musical — ele brincou.
— Você é tão dramático, Nicolas — brinquei, mas troquei para outra estação.
Dirigimos por mais alguns minutos até que ele entrou numa estradinha de terra e parou em frente a um mercadinho de beira de estrada.
— Vamos comprar algumas coisas pra comer — sugeriu, desligando o motor.
Saímos do carro, e eu estiquei os braços acima da cabeça, aliviada por sair daquela mesma posição depois de tanto tempo. O cheiro de terra misturado com o de pão assando em algum lugar deixou o clima ainda mais acolhedor.
Peguei um carrinho e comecei a andar pelos corredores, colocando algumas coisas que considerava essenciais: biscoitos, salgadinhos, chocolate, marshmallows para a fogueira…
Nicolas observou, levantando uma sobrancelha.
— Você está planejando acampar ou sobreviver ao apocalipse?
— Isso é o básico! — protestei, pegando mais um pacote de biscoitos.
Ele riu e balançou a cabeça, pegando uma garrafa de suco de laranja.
Depois de pegarmos tudo que precisávamos, pagamos e voltamos para o carro. Agora, com o sol já bem alto no céu, Nicolas pegou a entrada de uma trilha de terra e seguimos por um caminho mais estreito, cercado por árvores altas.
A paisagem ali era completamente diferente da cidade. Árvores altas cercavam os dois lados da estrada de chão batido, e, conforme avançávamos, o cheiro de natureza ficava mais intenso.
— O lugar parece incrível — comentei, observando ao redor.
— Ainda não viu nada — Nicolas respondeu.
Poucos minutos depois, ele estacionou o carro em uma área aberta, perto de um pequeno lago. O sol brilhava no céu azul sem nuvens, refletindo sua luz dourada na superfície calma da água.
— Nada mal, hein? — murmurei, saindo do carro e respirando fundo.
— Sabia que ia gostar.


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