Eu parei abruptamente na garagem do prédio, sentindo meu corpo congelar no mesmo instante. Meus olhos se fixaram no SUV preto estacionado à minha frente, e um arrepio gelado percorreu minha espinha. Era o mesmo carro. O mesmo modelo, o mesmo tom escuro de tinta refletindo a luz fria do estacionamento. Meus pulmões se recusaram a funcionar, e minhas mãos começaram a tremer sem controle.
Um turbilhão de lembranças veio com força total, atingindo-me como uma onda avassaladora. O som ensurdecedor do impacto, o estilhaçar dos vidros, o capotamento, os gritos. Meus filhos. Meus filhos. A dor me atingiu como se tudo estivesse acontecendo de novo. Meu peito se apertou, e minha visão ficou turva. Uma crise de pânico. Não agora. Não agora.
Pressionei as mãos contra as têmporas, tentando me ancorar no presente. Respira.
— Não é agora… — murmurei para mim mesma, tentando ignorar a sensação de sufocamento.
Eu precisava buscá-los. Eles estavam vivos. Eu só precisava entrar no carro e dirigir. Era só um carro. Mas não importava quantas vezes eu repetisse isso na minha mente, meu corpo não acreditava. Meu corpo se lembrava do terror. Meu corpo sabia que aquele maldito carro me levou em direção a pior dor que uma mãe poderia sofrer.
Fechei os olhos com força e inspirei profundamente. O caminho até a escola era seguro. Seguro.
Minhas mãos tremiam ao alcançar a maçaneta, e quando me sentei ao volante, um suor frio escorreu pela minha nuca. Me forcei a encaixar a chave na ignição e ligá-lo. O motor roncou suavemente, inofensivo. Mas na minha mente, eu ainda podia ouvir o som do metal retorcendo, o cheiro de gasolina e sangue, os gritos desesperados das minhas crianças.
Apertei o volante com força. Só dirija, Ayla. Um pé depois do outro.
Meu coração ainda martelava contra o peito, mas eu precisava buscá-los exatamente naquele carro. Se alguém realmente estivesse esperando para sabotá-lo, esperando que eu entrasse e seguisse o mesmo destino trágico de antes, talvez, só talvez, eu conseguisse ver alguma coisa. Alguma pista, um rosto, um detalhe que me ajudasse a descobrir quem estava por trás daquilo. A ideia era insana, arriscada, mas eu não podia simplesmente ignorar. Dessa vez, eu estava preparada. Dessa vez, eu não ia deixar que meus filhos morressem.
Fui devagar, o máximo que podia sem parecer uma completa maluca no trânsito. Cada curva parecia uma ameaça, cada freada fazia meu coração disparar. Mas eu continuei. Eles estavam vivos. Eu só precisava chegar até eles.
Quando finalmente parei o carro em frente à escola, soltei o ar que nem percebi que estava prendendo. Saí do carro como se estivesse fugindo de uma cela de tortura e corri para dentro do pátio. Meu coração batia tão rápido que eu podia senti-lo na garganta.
E então, eu os vi.
Heitor e Manuela.
— Meus bebês… — sussurrei, a voz embargada, enquanto lágrimas quentes escorriam pelo meu rosto.
Eles estavam ali, vivos, respirando, sorrindo para os amiguinhos. Meu coração explodiu em mil pedaços de puro amor e alívio.
— Mamãe! — Manuela gritou animada ao me ver, correndo em minha direção.
Eu me ajoelhei no chão e a puxei para os meus braços, ao mesmo tempo que agarrei Heitor, abraçando os dois como se minha vida dependesse disso. E dependia. Meu peito subia e descia descontroladamente, soluços entrecortados se misturando aos beijos desesperados que distribuía nos rostinhos deles. O cheiro do shampoo infantil de Manuela e o perfume leve de Heitor preencheram meu nariz, me trazendo a certeza inegável de que aquilo era real. Eles estavam ali. Eles estavam vivos.
— Mamãe… você tá chorando? — Heitor perguntou, tentando se afastar um pouco para me encarar.
Apertei-o ainda mais forte contra mim. Se ele soubesse. Se ele soubesse o que eu vivi, o que eu perdi.
— Eu tô chorando porque eu amo vocês tanto, tanto… — beijei sua testa, depois a de Manuela. — E eu quero que todos saibam que a mamãe de vocês é a que mais ama os filhos no mundo. Todos os amiguinhos de vocês precisam saber disso.
Ele riu, tímido, olhando ao redor, claramente envergonhado.
— Mãe, tá todo mundo olhando…


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