Meu coração batia forte. Eu queria seguir aquele carro. Precisava saber quem estava dirigindo, quem tinha sido o responsável por tudo. Mas eu não tinha como. Tudo o que eu tinha era um SUV com os freios sabotados, um Uber a cinco minutos de distância e duas crianças que eu precisava proteger como uma leoa.
Então, fiz a única coisa que podia naquele momento: anotei a placa do Fiat Mobi roxo. Meu peito subia e descia rapidamente, a adrenalina ainda correndo nas minhas veias enquanto meus olhos seguiam o veículo até que ele desaparecesse na rua.
"Eu vou pensar nisso depois," prometi a mim mesma, engolindo a vontade de sair correndo atrás daquela sombra do passado.
O Uber encostou no meio-fio, e eu respirei fundo antes de abrir a porta traseira e ajudar Heitor e Manuela a entrarem. Meu corpo ainda tremia de leve, mas minha prioridade agora era tirá-los dali em segurança.
— Mamãe, vamos abandonar nosso carro? — Heitor perguntou, inclinando a cabeça.
Sim. Porque o carro foi sabotado. Porque alguém queria nos matar.
Sorri de leve, tentando parecer despreocupada.
— O carro está com defeito, amor. Melhor não arriscar.
Ele aceitou a resposta sem mais perguntas, e o motorista deu a partida. A cidade passava pela janela enquanto eu tentava organizar meus pensamentos. Eu sabia para onde estava indo, mas... será que eu queria voltar para casa?
Não.
Meu estômago revirou ao pensar em Miguel. Eu não confiava nele. Depois de tudo o que ele fez comigo naquela outra realidade, como poderia simplesmente voltar para aquela casa e fingir que estava tudo bem?
E as crianças?
Elas confiavam nele. O viam como um pai presente, um porto seguro. Mas eu sabia da verdade. Sabia que Miguel era um traidor, um mentiroso. Será que ele era um bom pai nessa realidade? Ou apenas um ator convincente, manipulando a todos ao seu redor?
Será que, se eu fechasse os olhos, deixaria meus filhos sob os cuidados dele sem hesitar
A resposta veio como um soco.
Não.
Eu não confiava nele nem para protegê-los, muito menos para protegê-los de si mesmo.
Havia apenas uma pessoa no mundo a quem eu confiaria minha vida e a vida dos meus filhos.
Teri.
Mas, naquela linha do tempo, Teri nem sabia da minha existência.
Meus olhos se fecharam por um momento. O que eu ia fazer?
— E agora? — murmurei baixinho para mim mesma, perdida na confusão de pensamentos.
Quase ao mesmo tempo, meu celular vibrou no bolso do meu jeans. Uma mensagem.
O nome na tela fez meu coração parar.
MÃE.
A notificação piscava com uma mensagem simples:
"Já está chegando? O almoço está quase pronto."
Meus pulmões travaram. Não podia ser.
— Mãe? — minha voz saiu mais alta do que eu queria.
Heitor e Manuela imediatamente se viraram animados.
— Vovó?! — Heitor sorriu. — Estamos indo almoçar com a vovó?
— Que delícia! — Manuela bateu palminhas.
O quê?
Minha mãe... viva?
Minha garganta se fechou. Eu mesma planejei o enterro dela. Sofri a perda, a ausência, as palavras que nunca foram ditas. Ela morreu em 2020, vítima da Covid. Desde que saí de casa para me casar com Miguel, nosso relacionamento nunca mais foi o mesmo. Conversávamos apenas o necessário. Mas agora... agora ela estava viva.
E me convidando para almoçar?
Minhas mãos tremiam quando digitei uma resposta rápida, avisando ao motorista que mudaríamos o destino.
— Crianças, vamos ver a vovó! — anunciei, tentando manter minha voz estável.
— Ebaa! — Heitor e Manuela comemoraram, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.
Então, nessa linha do tempo, minha mãe e eu éramos próximas.
Essa realidade estava mais bagunçada do que eu imaginava.
Chegamos à casa dela, e eu hesitei por um instante antes de tocar a campainha. Meu peito estava pesado, meu coração martelava de ansiedade.

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