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Amor por Acidente - A Stripper e o Bilionário romance Capítulo 88

Os dias foram passando, e eu me sentia mais viva do que nunca. Cada manhã, acordava na casa da minha mãe e encontrava meus filhos ao meu lado, algo que nunca pensei que voltaria a ter. Cada pequeno momento era um presente.

Adorava acordar cedo e preparar o café da manhã enquanto Heitor tentava espremer a laranja sozinho, fazendo bagunça no balcão, e Manuela bebia seu leite devagar, distraída com algum desenho na TV. Pequenos momentos caóticos que, de alguma forma, faziam meu coração transbordar de alegria enquanto o cheiro de café fresco se espalhava pela cozinha, e minha mãe cantarolava alguma música antiga enquanto organizar a mesa. Eu me pegava sorrindo sozinha ao observá-los, sentindo-me em casa pela primeira vez em anos.

Era incrível como uma linha do tempo diferente poderia mudar tudo. Na outra realidade, minha mãe estava morta, meus filhos estavam mortos… e eu? Eu tinha sido destruída. Mas aqui, eu tinha todos eles comigo. E, por mais que a vingança ainda estivesse em curso, aquilo era o que mais importava.

Heitor era uma cópia de Miguel em aparência, mas não em personalidade. Era um garoto doce e teimoso, que adorava questionar tudo. Manuela, por outro lado, era uma mini versão de mim. Sempre abraçada em meu pescoço, sempre rindo, sempre querendo dançar. Cada dia ao lado deles era um milagre.

Mas eu tinha um plano a seguir.

Depois do café, beijei as bochechas das crianças, que saíram correndo para brincar no quintal, e me despedi da minha mãe antes de sair para o estúdio de balé.

O som da música preenchia a sala enquanto eu caminhava entre as alunas, observando cada uma delas praticar os movimentos que ensinei. Camila estava no centro, o rosto sério e determinado.

Ela tinha talento, mas eu sabia que poderia ser muito melhor. E era isso que eu esperava dela.

— Camila, mais leveza nos movimentos — corrigi, mantendo minha expressão impassível.

Ela assentiu e repetiu. Mas não foi o suficiente.

— De novo.

Ela tentou mais uma vez, e eu continuei firme.

— De novo.

Camila fechou os olhos por um segundo e repetiu mais uma vez. Ainda não estava bom.

— De novo.

Ela parou abruptamente e me encarou, os olhos brilhando de frustração.

— Por que você está sendo tão má comigo?!

Suspirei e segurei sua mão, puxando-a para um canto da sala, onde as outras alunas não pudessem ouvir. Às vezes, eu precisava me lembrar que estava lidando com uma menina de treze, quase quatorze anos — não com a jovem determinada de dezessete que eu sabia que ela se tornaria. Mas era impossível não enxergar nela os primeiros traços da bailarina brilhante que um dia ocuparia os palcos. E talvez fosse justamente por isso que eu exigia tanto. Porque eu sabia do que ela era capaz. E porque eu não podia permitir que ela fosse menos do que seu potencial permitia.

— Eu não estou sendo má, Camila — falei, minha voz firme, mas calma. — Estou sendo rígida porque eu espero nada menos do que a perfeição de você.

Os olhos dela brilharam, e ela abriu a boca para protestar, mas eu continuei:

— Em algumas semanas, você vai fazer quatorze anos. Seus pais vão te dar uma viagem para os Estados Unidos de presente.

Ela arregalou os olhos.

— Como… como você sabe disso? Eu não contei pra ninguém...

— Isso não importa agora — interrompi. — Você vai assistir a um espetáculo de Coppélia e vai se apaixonar. Vai decidir, naquele momento, que seu sonho é protagonizar Swanilda. E daqui a três anos, você terá a oportunidade de lutar por esse papel.

Ela parecia paralisada.

— Mas não vai ser fácil, Camila — continuei. — E se você não tornar esses movimentos tão naturais para você quanto respirar, não vai conseguir.

A garota não piscava.

— Mas eu prometi que ia fazer você conseguir. E agora temos três anos para isso.

Camila não discutiu. Apenas limpou uma lágrima teimosa e assentiu, determinada.

— Vou continuar tentando.

Sorri de leve e a deixei voltar ao ensaio.

Nesse momento, meu celular tocou. Peguei rapidamente e atendi ao ver o nome de Teri na tela.

— Tá tudo certo — ela disse do outro lado, animada. — Está tudo finalizado e perfeito!

Soltei um gritinho abafado e dei pequenos pulinhos de felicidade no canto da sala.

Capítulo 88 1

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