A música preenchia o estúdio enquanto eu repetia o mesmo movimento junto com Camila, ajustando sua postura com delicadeza, mas sem aliviar na exigência. Ela estava se saindo melhor do que eu esperava, completamente focada, absorvendo cada instrução. Mas era difícil manter a concentração quando do lado de fora Helena esbravejava, tentando atravessar a porta enquanto Pedro a barrava com a calma que só ele possuía.
Soltei um suspiro aliviado. Eu tinha sorte de ter Pedro não só como segurança, mas como amigo. Ele levava seu trabalho a sério e, mesmo que eu tivesse o contratado para me ajudar a manter a ordem na academia, sabia que ele ficaria ali por mim e por Teri independentemente de qualquer coisa. Depois de tudo que passei, saber que podia confiar nele me trazia um tipo de tranquilidade que eu não sentia há muito tempo. E apesar de para ele eu ser só uma louca que acertava um ou outro palpite sobre o futuro, eu estava vendo que, do lado dele, nossa relação estava começando a se reconstruir nessa linha temporal também.
— VOCÊ ARRUINOU A MINHA VIDA! — a voz de Helena atravessou as paredes, abafada pela música alta.
Camila suspirou e revirou os olhos, sem pausar os movimentos.
— Isso vai durar muito tempo? — murmurou, sem desviar os olhos do espelho.
Eu ri, aumentando um pouco mais o volume da música.
— Uma hora ela cansa.
Camila soltou uma risada baixa e voltou a focar na sequência de passos. Mas, para ser sincera, eu sabia que Helena não cansaria tão fácil. Ela estava desesperada, e com razão. Depois do escândalo envolvendo o esquema de medicamentos e os desvios de dinheiro, os pais das alunas que ficaram na academia dela haviam se unido e movido processos contra ela. A carreira de professora que ela levou anos para construir havia sido destruída em poucos dias. E uma hora ela precisaria pagar por isso na justiça também, por mais que talvez ainda demorasse. Processos eram longos.
E eu?
Bem, eu estava lidando com o caos que isso trouxe para mim também. As alunas dela vieram para mim e eu precisei me virar para organizar uma estrutura que comportasse tanta gente. Mas, no fim, ver Helena gritando impotente na porta do meu estúdio fazia tudo valer a pena.
Quando a aula terminou, ajudei Camila a reunir suas coisas e a acompanhei até o carro de seus pais.
— Até mais, professora! — Camila sorriu antes de entrar no carro, a empolgação ainda brilhando nos olhos dela.
Eu balancei a cabeça com um sorriso e comecei a voltar para dentro, mas parei abruptamente ao ver Nicolas saindo da academia. O coração disparou no instante em que nossos olhos se encontraram, e, quando ele sorriu, senti que minhas pernas poderiam falhar.
— Sobrou para você trazer suas sobrinhas hoje? — brinquei, cruzando os braços na tentativa de parecer casual.
Nicolas riu e se encostou ao batente da porta.
— Nunca vi alguém me reconhecer com tanta facilidade.
Minha respiração travou por um instante. Eu o reconheci no momento em que o vi, sem nem precisar hesitar. Mas, claro, para ele, eu deveria ser apenas mais uma estranha que confundia os gêmeos Sartori. Afinal, era sempre Enrico quem costumava vira trazer a filha, e eles realmente eram muito parecidos.
— Como você faz isso? — ele continuou, intrigado. — Você e minha própria irmã devem ser as únicas pessoas nesse mundo que nunca nos confundem.
Engoli em seco, tentando encontrar uma resposta rápida. O que eu diria? "Ah, é porque eu te amei em outra vida, então consigo te reconhecer em qualquer lugar, de olhos fechados"? Não. Não mesmo.
— Vocês têm trejeitos diferentes — respondi, optando pela opção mais segura.
Ele ergueu uma sobrancelha, mas não teve tempo de responder. Camila voltou correndo do estacionamento, segurando um envelope cheio de papéis.
— Professora! — ela gritou, sem fôlego. — Eu esqueci de te entregar isso!
Peguei o envelope com um olhar curioso.
— O que é isso?


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