Organizar a mala deveria ser um processo simples e automático, mas ali estava eu, dobrando e desdobrando a mesma blusa pela terceira vez enquanto minha mente vagava em um turbilhão de pensamentos. O acampamento era, acima de tudo, um evento profissional, mas a ideia de passar dias inteiros tão próximos a Nicolas fazia meu coração bater mais forte do que eu queria admitir.
Desde que voltei no tempo, minha prioridade tinha sido minha vingança. Destruir Miguel e Helena, tomar tudo deles, reconstruir minha vida e a dos meus filhos da maneira que deveria ter sido desde o começo. Mas toda vez que pensava que Nicolas não fazia parte disso — que eu precisava reconquistá-lo, fazê-lo me amar novamente, fazê-lo lembrar, mesmo sem lembrar — uma angústia apertava meu peito.
Suspirei, afastando esses pensamentos e voltando a focar na mala. Não adiantava me torturar agora. O importante era que eu estaria lá, e ele também.
— Mamãe, você precisa levar um casaco grosso. — Heitor apareceu na porta do quarto com os braços cruzados. — Vai estar frio.
— Eu já coloquei, amor. — Sorri, fechando o zíper da mala.
— Tem certeza? — Ele se aproximou, desconfiado. — Você sempre esquece.
— Ele tem razão, mamãe. — Manuela surgiu atrás dele, segurando seu ursinho de pelúcia. — Você sempre esquece.
Revirei os olhos, rindo.
— Vocês são as crianças mais mandonas que eu já vi!
— Só estamos cuidando de você. — Heitor deu de ombros, como se fosse óbvio.
Meu coração se apertou. Me abaixei, puxando os dois para um abraço apertado. O simples fato de tê-los ali, vivos, brigando comigo por uma jaqueta, era um milagre.
— Vou sentir saudades de vocês.
— Você volta logo? — Manuela me olhou com aqueles olhinhos brilhantes.
— Terça de manhã eu estou aqui.
— Então tá bom — ela encostou a cabeça no meu ombro.
Minha mãe apareceu na porta, sorrindo com ternura.
— Eles vão ficar bem, filha. Pode ir tranquila.
Me levantei e fui até ela, abraçando-a forte.
— Obrigada, mãe.
— Vá e aproveite. Você precisa disso.
Ela tinha razão. Mas eu sabia que meu coração ficaria aqui, com eles.
O ronco do motor da caminhonete de Pedro ecoava pela rua enquanto eu me acomodava no banco do passageiro e Teri se jogava no banco de trás, colocando os pés sobre o estofado sem a menor cerimônia.
— Isso não vai acabar bem. — Pedro bufou, ligando o carro.
— Ah, vai sim. — Teri estalou a língua. — Vai acabar muito bem.
— Para vocês, talvez. — Ele fez uma careta, olhando ao redor. — Mas eu me sinto como um intruso em um clube exclusivo para milionários.
— Relaxa! — Teri riu. — Ninguém precisa saber que você ainda compra pizza só nos dias de promoção.
— Olha quem fala! Como se você não vivesse de comida de delivery.
— Ei, eu sei cozinhar! — ela rebateu, erguendo o queixo. — Só prefiro apoiar a economia local.
Enquanto os dois discutiam, me recostei no banco, observando a paisagem passar.
— Você tem certeza de que quer ir? — Teri perguntou, me cutucando no ombro.
Suspirei, sentindo o peso da decisão. Já havíamos recebido um pagamento generoso pelo trabalho, dinheiro que ajudaria nas últimas reformas da academia de balé e na contratação de pelo menos mais uma professora. Mas, além disso... Minha mente vacilou por um instante, presa a um pensamento que eu evitava encarar de frente. Eu queria passar mais tempo com Nicolas e a ideia de recuar agora parecia mais difícil do que deveria.
— Não, mas eu preciso.

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