Rubi
Não sei por quanto tempo eu fiquei ali, só me martirizando por tudo que tem acontecido conosco.
Tento me lembrar dos dias que eramos felizes. Que apenas risadas preenchiam o nosso dia.
Tento me manter positiva sobre o que ele está fazendo e se tornando, mas e se ele demorar mais.
Se ele não chegar a tempo?
O que eu vou fazer?
Continuo ali pensando, quando sinto uma corrente quente percorrer meu corpo. Como um carinho que não sinto há semanas.
Segundos depois meu peito estala, e minha loba ergue a cabeça, como se tivesse sido chamada. O laço reacende. Não forte como antes, mas vivo. Riuk tá lá. Longe. Mas vivo.
Eu sento na cama, coração disparado. Minha loba uiva de alívio. O bebê mexe, como se sentisse também.
“Ele tá vivo…” sussurro, lágrimas escorrendo. “Ele tá voltando… ele está voltando para nós.” passo minhas mãos pela pequena barriga, e sorriu, com as lágrimas mudando agora.
Mas o medo ainda aperta. As palavras do Atlas ecoam na cabeça como veneno.
“Em um mês você traz o Riuk… ou eu vou buscar… e mato toda sua maldita família.”
Não, isso não pode acontecer. Eu vou dar tempo para ele chegar, vou ajudar meu companheiro a resolver isso,não deixando que Atlas destrua tudo que ele mais preza.
Eu me levanto. Não dá mais pra ficar parada.
Corro pela casa atrás de Eron.
"Ele está no jardim com a Libby, se eu fosse você não iria até lá." Enoch diz, e dou risada.
"Para com essa implicância, que vê pensa que você ainda é um bebê." ele da risada.
"Não, eu só não gosto de ver meus irmãos engolindo vocês. É um cena bem bizarra." ele chega mais perto e me abraça. "Você sabe que não precisa salvar o mundo né? Só mantenha meu sobrinho quentinho, e o resto deixa que nós resolvemos." sorrio para ele.
"Se fosse tão fácil assim, seu irmão estaria ao meu lado, não acha?"
"É, mas ele é o mais cabeça dura de nós, então não conta." me afasto dele, indo para o jardim.
Eron e Libby estão no banco, ela sentada no colo dele, cabeça no ombro dele, os dois em silêncio, curtindo um momento raro de paz.
Fico em dúvida se devo ou não ir até eles.
"Sei que está ai Rubi..." Eron diz sem se virar, e sem soltar Libby.
“Desculpa interromper…”
Libby levanta a cabeça, já sorrindo.
“Para de bobagem. Senta aqui. No que podemos ajudar?”
Sento do lado deles.
“Precisamos mandar todo mundo embora.” falo de uma vez.
Eron trava.
"Embora? Por quê? Todos querem esperar o retorno do Riuk. Sabe disso."
"Não temos segurança de que isso vai acontecer em tempo... antes...antes..."
“Tem a ver com a carta, não tem?” Eron questiona, me avaliando.
Eu assinto.
Minha boca já enche de sangue. Eu engulo, mas sai pelo canto.
“Atlas tá vindo. Ele vai matar todos vocês… pra me punir. Pra punir o Riuk.”
Libby segura minha mão.
Meu pai dá um passo.
“Ele pouco se importa com leis. O que ele quer é poder.”
Um por um, todos falam:
“Eu fico.” “Eu luto.” “Ninguém sai daqui.”
Eu choro, sangue pingando no chão.
“Vocês não entendem… ele quer nossa raiva. Quer nossa dor. É assim que a magia dele cresce. Se vocês morrerem… ele fica mais forte.”
Libby segura minha mão.
“E se a gente for embora, ele usa você como isca. Não vamos deixar.”
Eu olho pra cada um deles. Pra família que eu sempre me protegeu. Pra família que agora tá pronta pra morrer por mim.
Eu engulo o sangue, voz rouca:
“Riuk está voltando, eu sinto. Mas ele pode demorar, e Atlas, ... ele já deve estar no continente.” cuspo mais e mais sangue, chegando a ficar tonta.
"Para de falar dele, nós já entendemos. Você não pode ficar debilitada agora, precisa pensar no bebê. Riuk me mata se acontecer algo com vocês." ele sorri de lado, e aceito a toalha de Libby.
Eu fecho os olhos, mão na barriga.
O bebê mexe de novo. Forte. Como se dissesse “eu também luto”.
Eu sorrio, mesmo chorando.
“Vamos nos preparar então. Porque ele está perto.”
Porque agora não é mais só sobre mim e o Riuk. É sobre o filhote que tá vindo. É sobre a família que não foge. É sobre o amor que não desiste.

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