Rubi
Três dias desde que o laço reacendeu.
Três dias sentindo ele cada vez mais perto, mas ainda tão longe demais.
Três dias de dor no peito que não é minha, mas dele.
Minha boca tá destruída. Bolhas, cortes, gosto de ferro o tempo todo. Depois da bolsa de sangue que precisei tomar, parei de falar o nome de Atlas. Não quero mais sangrar. Não quero machucar o bebê.
A casa virou fortaleza. Guardas nas muralhas. Runas de proteção nas portas. Mas todos sabemos que não adianta.
Atlas não vem pra ser parado. Ele vem pra destruir. Ele está determinado. Sabe exatamente o que quer. E isso me assusta, porque seu principal objetivo não está aqui.
Eu desço pra tomar café. O clima tá pesado. Todos sorriem pra mim, mas os olhos estão focados no que está acontecendo do lado de fora.
Ragnar anda de um lado pro outro, falando no celular. Meu pai, Eron e ele discutem baixo na sala de reuniões. As mulheres, minha mãe, Cam, Libby, se recusam a sair.
“Não vou deixar minha filha sozinha,” minha mãe diz, voz firme.
“Ninguém sai daqui,” Cam completa. "Somos uma família, e defendemos uns aos outros."
"Mas não deveriam. Queria tanto que estivessem seguras, junto com os meninos. Não precisam correr risco a toa." falo, e minha mãe me abraça.
"Você e seu irmão são tudo o que eu tenho, nunca vou deixá-los, por maior que seja o perigo." ela beija meu rosto e tento não desabar. "Quando o bebê nascer, você vai entender do que eu estou falando."
"Se ainda houver um mundo para ele nascer." falo e ela me repreender.
"Consegue sentir se Riuk está mais próximo?" Cam fala, e deixo que minha loba tente alcança-lo. Fiz isso a noite toda, e em um momento, achei que nossos lobos chegaram a se conectar. Mas foi tão breve, tão rápido.
"Está... parece que ele está perdido. Que não consegue achar a saída."
"Isso é impossível. Ele sempre voltou, quando estava aqui, por que agora seria diferente?" dou de ombros sem ter uma resposta.
"Acho que você deveria ir embora também, Rubi." Meu pai fala.
"Não adianta. Onde eu estiver, Riuk vai estar, somos o chamariz." ele bufa, sabendo que é verdade, e que não tenho muito o que fazer sobre isso.
A campainha toca, e vou atender. A guarda de Ragnar está toda lá, e penso que pode ser finalmente Riuk voltando para casa.
Abro a porta.
E o mundo para.
Atlas tá lá. Impecável. Terno preto, camisa aberta, olhos roxo-vivo brilhando como lâminas. Sorriso calmo. Mãos no bolso.
Atrás dele… os corpos dos guardas do Ragnar. Dezenas. Rasgados. Sangue no chão. Ninguém vivo.
Eu fico sem ar.
Ele sorri de lado.
“Eu disse que viria, Rubi. Achou que eu tava brincando?”
Eron aparece do meu lado num segundo, me empurra pra trás dele.
“Você deve ser o famoso filho da puta que tá caçando meu irmão.”

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Apaixonada pelo Alfa Errado