Riuk
As semanas se misturam no Vazio como um borrão de dor e raiva.
Não sei mais se faz 6 ou 8. Perdi a conta depois do terceiro treinamento que me deixou em coma por dois dias. O tempo aqui não existe. Só a dor. Só o progresso. Só a magia que agora corre nas minhas veias como o próprio sangue.
Acordo no chão frio de uma casa velha que Drevan conjurou do nada. Parede de madeira podre, teto vazando chuva roxa que queima como ácido se cair na pele. Meu corpo tá inteiro, mas exausto. Cicatrizes novas brilham, a mescla perfeita do lobo e da magia que aprendi a unir. Não sobreponho mais. Não separo. Uso os dois como um só: o lobo pra instinto, a magia pra precisão.
Levanto devagar, músculos protestando. O Vazio mudou de novo. Agora é uma vila fantasma, casas abandonadas, névoa baixa rastejando no chão como serpentes vivas.
Pego a garrafa d'água que Drevan me deu, a única que não apodrece aqui. Tomo um gole. Água pura, fria, revigorante. Meu lobo rosna satisfeito. A magia pulsa em resposta, azul-roxo nas veias.
Me troco rápido: calça preta reforçada, botas que Drevan conjurou pra aguentar o inferno daqui. Sem camisa. Pra sentir cada golpe antes que chegue.
Enquanto amarro o cadarço, sinto o ar mudar. Névoa fica densa. Cheiro de ozônio. Magia no ar.
Meu lobo fareja. A magia responde na hora: olhos roxo-dourado, visão afiada como lâmina.
Uma onda roxa vem pelas costas, silenciosa, letal como cobra.
Eu não viro. Levanto a mão esquerda pra trás. Um escudo se materializa. A onda b**e e se dissolve como água em ferro quente. O ar estala.
Drevan aparece do nada, a três metros, olhos violeta faiscando.
“Melhor que ontem.”
Eu me viro devagar, punhos cerrados.
“Já estava mais do que na hora de ser.”
Ele ri, seco.
“Só não comece a se achar.”
Estala os dedos.
Correntes invisíveis saem do chão, tentam prender meus pés.
Meu lobo reage: salto pra frente, magia impulsionando o pulo. No ar, estico a mão direita. Uma lança roxo-dourada se forma, mescla de garra e energia pura. Ataco.
Drevan desvia por um fio. A lança crava na parede atrás dele, explode a madeira em lascas pretas.
Ele contra-ataca: fogo roxo voa da mão dele, três bolas flamejantes.
Eu rosno, o instinto do meu lobo, junto com a magia que me protege, criam uma barreira. O fogo b**e, sibila, morre.
Aterrisso. Avanço.
Ele estala de novo. O chão abre sob meus pés, um abismo roxo tentando me sugar.
Meu lobo uiva. Magia responde: salto pro lado, lanço uma garra de energia pro abismo. O buraco se fecha como boca engolindo a própria língua.
Drevan sorri, mas agora tem suor na testa.
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