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Apaixonada pelo Alfa Errado romance Capítulo 155

Enoch

Eu odeio planilhas.

Sério, quem inventou isso merece um lugar especial no inferno dos lobos. Eu tô há três horas olhando pra tela do computador na sala da empresa em Sidney, tentando entender o relatório financeiro que a Laura mandou pra mim ontem. Números dançando, gráficos subindo e descendo, e eu aqui, o “chefe interino”, fingindo que sei o que tô fazendo.

Riuk e Rubi fingem que estão bem e mal falam comigo. Eron e Libby, me tratavam como um bebê, só mensagens curtas do tipo “tudo bem, estou ocupado” ou da minha mãe dizendo “não se preocupa, cuida da empresa”. Eu sei que tem coisa errada. Eu sinto. Mas ninguém me conta nada porque sou o caçula, o “filhote que ainda tá treinando”.

A porta da sala se abriu sem bater, e Laura entrou carregando duas xícaras de café. Ela é… bem, a Laura. Quatro anos mais velha, cabelo castanho sempre preso num coque bagunçado, óculos que escorregam no nariz quando ela tá concentrada. Assistente de projeto do Riuk e a melhor amiga da Rubi, e agora basicamente carregando a empresa nas costas enquanto eu finjo ser útil.

“Você ainda tá olhando pra mesma planilha?”, ela perguntou, colocando o café na minha mesa. O cheiro forte me salvou da morte por tédio.

Eu suspirei, recostando na cadeira. “Eu juro que esses números mudam sozinhos quando eu pisco. Consegue me ajudar com isso aqui?” Apontei para uma parte da planilha, mas nada específico.

Ela riu, um riso curto, mas que fez meu estômago dar um giro esquisito. “Você é o chefe, Enoch. Pode mandar outra pessoa fazer isso.”

“Chefe de mentira”, resmunguei, pegando o café. Nossos dedos se tocaram por um segundo, e eu puxei rápido demais, quase derrubando tudo. Ótimo. Muito maduro.

Laura sentou na cadeira do outro lado da mesa, cruzando as pernas. “Sério, o que tá acontecendo? A Rubi sumiu do mapa há meses. O Riuk não responde e-mail há semanas. E você aparece do nada dizendo que vai ‘cuidar das coisas’. Me conta a verdade, Enoch. Eu não sou burra Aconteceu alguma coisa com a minha amiga. Eron está dificultando as coisas para eles....”

Eu engoli em seco. Ela tava me olhando daquele jeito — olhos verdes fixos, sobrancelha arqueada, como se pudesse ler minha alma. E talvez pudesse. Laura parecia boa nisso.

“Não... não é nada disso”, eu disse, vago. “Minha família é complicada. Riuk tá resolvendo uns problemas antigos e a Rubi o está ajudando. Não precisa se preocupar.”

Ela inclinou a cabeça. “Meio difícil. Ela sumiu faz quase 4 meses. O projeto deles está parado. Isso está estranho demais.”

Eu quase engasguei com o café. “Para de pensar sobre isso. Sou eu que estou aqui e estou tentando fazer o meu melhor. Se eu puder ajudar...”

Laura sorriu de canto. “Você é uma agradável visão, Enoch, mas na parte técnica, temos que concordar... Pareço mais sua babá do que sua assistente, acho melhor a gente tentar falar de novo com a Libby e...”

“O que foi?”, perguntou baixinho.

“Nada”, menti, voz mais rouca que o normal. “Só… obrigado. Por ajudar. Por não surtar com a minha inexperiência nos negócios da família.”

Laura sorriu, dessa vez mais devagar. “Eu confio em você, chefe bebê.”

“Para de me chamar assim”, resmunguei, mas tava sorrindo.

“Não vou parar”, ela disse, e ficou ali, perto, por mais um segundo antes de voltar pro lado dela da mesa.

Meu coração batia idiota. Eu não sabia o que fazer com isso. Com ela. Com nada.

Só sabia que ela tinha despertado algo em meu lobo, algo que loba nenhuma tinha conseguido até agora.

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