Rubi
A mansão suprema nunca tinha parecido tão grande e tão pequena ao mesmo tempo.
Depois que Riuk e Eron saíram sem olhar pra trás, o silêncio caiu como uma cortina pesada. Cam foi a primeira a se mexer, sua visão de Luna suprema, dominando toda a situação. “Vamos. Protocolo de evacuação. Temos que avisar os lobos e as matriarcas sobre os próximos passos.”
Libby já estava no telefone, chamando as matriarcas das vilas próximas. Eu fiquei parada por um segundo. Desci minha mão para a barriga, sentindo o bebê chutar como se protestasse contra tudo aquilo. Eu não queria ser um peso. Não queria ser a grávida que só espera. Queria ajudar.
“Me diz o que fazer”, falei, voz mais firme do que eu me sentia.
Cam olhou pra mim e sorriu, aquele sorriso de mãe que já passou por tudo. “Você já tá fazendo, querida. Vem comigo. Vamos soltar o anúncio.”
Fomos pra sala de comunicações, um quarto nos fundos equipado com telas grandes, computadores seguros. Cam sentou na cadeira principal, Libby ao lado já ajustando os canais encriptados no tablet, enquanto eu analisava, cada parte da alcateia nas telas dispostas.
Cam apertou um botão, voz clara e calma ecoando por toda a matilha de Denver e vilas aliadas:
“Atenção, alcateia. Aqui fala a Luna Suprema. Protocolo de evacuação ativado. Mulheres, filhotes, idosos e quem não está em condição de lutar: dirijam-se imediatamente aos bunkers de segurança. Levem apenas o essencial. As matriarcas já estão a caminho pra organizar. Os lobos ficam nas fronteiras. Confiem nos seus líderes. Nós já passamos por isso antes e vamos sair vitoriosos de novo. Que a Deusa nos guie e nos proteja.”
Assim que desligou, ela se virou para nós. “Pronto. Agora o corre-corre começa.”
E começou mesmo.
Em menos de meia hora, a mansão virou um formigueiro. Carros chegando no jardim, famílias descendo com malas pequenas, filhotes correndo, mães tentando manter a calma. Libby e eu fomos para as portas, orientando, ajudando avós a descer escadas, carregando malas leves. Eu sentia o suor escorrendo pelas costas, a barriga pesada, mas não parei. Não podia parar.
Uma matriarca mais velha, Dona Mira, me pegou pelo braço. “Luna Rubi, você devia descansar. O bebê precisa de uma pausa, menina.”
Eu sorri forçado. “Eu tô bem. Preciso ajudar.”
Cam apareceu do nada, organizando filas pros bunkers subterrâneos, aqueles túneis antigos reforçados, que existiam há mais tempo do que eles imaginavam. “Rubi, vem comigo pros alojamentos. Vamos organizar os quartos.”
Descemos juntas, Libby na retaguarda. Os bunkers eram grandes: corredores largos, quartos coletivos, cozinha comunitária, depósito de comida. O cheiro de terra úmida e pedra fria. Matriarcas já separavam famílias, distribuindo cobertores, acalmando crianças.
As pessoas especulavam em voz baixa enquanto a gente passava:
“É guerra de novo?”
“Ouvi que é o bruxo…”
“A Luna tá grávida, coitada, nessa loucura toda…”
Eu ouvia tudo, mas tentava ignorar. Até que uma dor surda apertou meu peito. Um vazio. Como se o vínculo com Riuk tivesse… silenciado. Não rompido, mas abafado. Distante.
Como se uma parede invisível tivesse se colocado entre nós.
Eu parei no corredor, mão no peito. “Libby…”
Ela virou rápido, preocupada. “O que foi?”
“Você… sente o Eron?”
Ela franziu a testa, fechando os olhos por um segundo. Depois balançou a cabeça. “Não. Nada. Como se ele tivesse me bloqueado.”
Cam parou ao nosso lado, voz baixa. “É o modo ataque, meninas. Quando os alfas vão pra guerra de verdade, eles fecham o vínculo. Pra não preocupar a gente. Pra não fraquejar se sentirem nossa dor ou medo. Ragnar fez o mesmo comigo. E está fazendo agora. Eu odeio, mas entendo.”
Eu engoli em seco, mão na barriga. O bebê chutando forte, como se protestasse também.
“Eles vão ficar bem”, Cam disse, abraçando meu ombro. “E a gente vai manter essa matilha de pé até eles voltarem.”
Libby assentiu, olhos duros. “Vamos. Tem muito o que fazer.”
Continuamos. Organizando, acalmando, ajudando. Eu sorria pras crianças, ajudava mães a instalar berços improvisados, distribuía água.



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