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Apaixonada pelo Alfa Errado romance Capítulo 191

Enoch

O cheiro dela escapava pela porta de vidro, mesmo com a cozinha toda iluminada e barulhenta demais para meu gosto. Era um cheiro cálido, tão familiar que meu lobo ergueu a cabeça dentro de mim, atento, pedindo por ela sem pudor algum.

E foi assim que a vi: encostada na bancada, as mãos apoiadas com força suficiente para revelar que algo ali dentro dela estava em guerra. Não precisava ouvir seus pensamentos; o corpo dela gritava.

Laura respirava como quem tenta escolher um caminho num cruzamento que não pediu para encontrar.

Meu peito apertou.

Eu toquei a porta de vidro antes de entrar, só para observar um segundo a mais. A luz branca destacava a tensão nos ombros dela. O coração batia rápido, irregular, como se o mundo tivesse ficado pequeno demais.

E eu soube.

Mesmo antes dela me ver.

Mesmo antes de qualquer palavra.

Ela não estava pronta para nós.

E eu não tinha direito algum de exigir que estivesse.

Empurrei a porta devagar. O som do batente contra o metal fez a cabeça dela levantar, num susto suave. Quando nossos olhares se encontraram, ela se endireitou na mesma hora, como se precisasse vestir uma armadura antes que eu chegasse perto.

Dei dois passos.

Ela segurou a respiração.

Eu tentei sorrir.

Saiu errado.

“Oi,” murmurei, e a palavra pareceu pequena demais para o tamanho do que eu sentia.

“Oi.” Ela engoliu seco. O olhar inquieto, sem saber onde pousar.

Fiquei alguns segundos tentando arrumar coragem para dizer o que precisava ser dito. E falhei.

Cada palavra parecia um espinho preso na garganta.

Foi ela que tentou sair primeiro.

“Eu tenho que continuar a trabalhar, Enoch. Depois a gente...”

“Laura.” Segurei o braço dela, com cuidado. “Acho que… talvez a gente devesse pensar melhor sobre isso.”

Ela parou. O susto foi inteiro, estampado no rosto. Os olhos se arregalaram como duas portas abertas para o medo.

E aquilo doeu mais que qualquer ferimento que eu já tive.

Ela respirou fundo, e por um segundo achei que fosse negar, lutar, dizer que queria ficar comigo.

Mas ela apenas assentiu.

“Eu estava… pensando o mesmo.”

“Eu sei.” Ele veio até mim, cruzou os braços e falou com aquela sinceridade crua dos Peyton. “Eu sei exatamente como é se sentir assim, mas de verdade... uma hora melhora.”

O silêncio nos engoliu por alguns segundos.

Meu lobo estava deitado dentro de mim, ferido. Respirava pesado, como se tivesse levado uma surra emocional. E talvez tivesse levado mesmo.

Riuk continuou:

“Volta para Denver. Fica com a família. Trabalha. Você sempre foi bom com números e estratégia. Se ocupar vai fazer bem pra você.”

“É.” Passei a mão no rosto. "Talvez seja melhor mesmo. Com ela distante, talvez meu lobo se acostume com a falta."

“E quem sabe…” Riuk sorriu fraco. “Você encontra uma companheira de segunda chance.”

Meu peito apertou e meu lobo rosnou baixo, mas acenei em aceitação. Não queria mais confrontos.

“É. Quem sabe.”

Levantei do sofá, sentindo cada músculo mais pesado do que no dia em que fui atacado. Mais pesado que qualquer batalha.

“Vou até a casa da Laura pegar minhas coisas. Depois deixo a chave com ela e vou para sua casa. Daí compro a passagem.”

Riuk apenas assentiu, a expressão sincera, mas carregada de pena.

“Faz isso. Enoch… sinto muito.”

Eu não respondi. Só saí da sala com aquela sensação de que o mundo estava encolhendo ao meu redor.

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